Denúncia é inconsistente, avalia comando petista

Parentes de Erenice preocupam cúpula do PT, que tenta distanciar cada vez mais Dilma Rousseff do caso

Vera Rosa, O Estado de S.Paulo

20 de setembro de 2010 | 00h00

O comando da campanha da petista Dilma Rousseff à Presidência avalia como "inconsistente" a denúncia de pagamento de propina na Casa Civil, mas continua preocupado com os parentes da ex-ministra Erenice Guerra.

Depois de participar de carreata em Ceilândia, na região Metropolitana do Distrito Federal, ontem, Dilma se reuniu com assessores. A avaliação geral é de que não há provas sobre corrupção na Casa Civil e muito menos sobre o envolvimento da candidata em algo ilícito.

O problema é a família de Erenice e, por isso, Dilma procura cada vez mais se distanciar dessa trama. O comitê sabe que há "coisas estranhas" envolvendo parentes da ex-ministra e amigos de seu filho, Israel. Na manhã de ontem, Dilma garantiu desconhecer Vinícius Castro, amigo de Israel, que seria seu sócio na Capital Consultoria. No Facebook, a foto de Dilma aparece na lista de amigos de Vinícius. "O Senhor é meu pastor. Nada me faltará", escreveu ele, em francês, no mural de sua página, antes do escândalo.

Pesquisas encomendadas pelo PT mostram que eleitores, geralmente, dão credibilidade a denúncias envolvendo parentes. Acham, por exemplo, que alguém "se deu bem" ou "saiu lucrando" às custas do governo. Acusações de quebra de sigilo fiscal, por outro lado, são de difícil entendimento.

Violação. Há tempos o candidato do PSDB, José Serra, acusa a campanha de Dilma de violar declarações de renda de tucanos, além das de sua filha, Verônica, e de seu genro, Alexandre. Até agora, porém, não houve impacto eleitoral. "As pesquisas mostram que as pessoas pensam assim: "Nós somos obrigados a informar tudo. Por que eles não? O que eles têm a esconder?", disse ao Estado um dos principais auxiliares do presidente Lula.

Na sexta-feira, o marqueteiro João Santana e os deputados do PT Antonio Palocci e José Eduardo Cardozo, coordenadores da campanha, reuniram-se com a candidata. Debruçaram-se sobre pesquisas e agenda dos últimos dias de campanha. O diagnóstico é de que Dilma deverá vencer no primeiro turno, apesar do bombardeio da reta final. A candidata decidiu encaixar na agenda mais um comício, em Curitiba, na quarta-feira, porque perdeu votos na capital do Paraná. / COLABOROU LU AIKO OTTA

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