Denúncia interrompe construção de túnel para fuga de presos

A construção do túnel que ligaria o complexo penitenciário de Bangu e a Favela do Boqueirão, na zona oeste, estava sendo tramado há pelo menos um ano, segundo informações colhidas na favela pelo delegado Irineu Barroso, da 34ª Delegacia de Polícia (Bangu). As obras, no entanto, teriam começado há seis meses. Nesta terça-feira, a Associação Rio Contra o Crime anunciou a recompensa de R$ 2 mil para quem tiver informações sobre quem ordenou a construção do túnel.Os moradores do Boqueirão acompanharam a venda de uma das casas da comunidade, em janeiro do ano passado, acreditando que ali seria instalada uma fábrica de tijolos. Na verdade, o local serviu de fachada para as escavações. Os vizinhos da casa contaram que três homens costumavam chegar numa kombi todos os dias para trabalhar, mas a produção da pequena fábrica nunca era vendida, nem mesmo para moradores da localidade - os blocos de concreto eram usados para sustentar as paredes do túnel.Os operários informavam que a casa pertencia a uma família, que chegava ali à noite, mas que nunca foi vista pelos vizinhos. "Tentamos passar um abaixo-assinado, pedindo a urbanização da comunidade, mas nunca encontramos ninguém em casa para assinar", afirmou o presidente da Associação dos Moradores do Boqueirão, Cláudio Paulista. O túnel de 86 metros de extensão e 1,70 metro de altura, construído a seis metros de profundidade, totalmente iluminado e com sistemas de drenagem e refrigeração, foi encontrado na tarde desta segunda-feira, após uma denúncia anônima.O delegado Irineu Barroso investiga a conivência de funcionários do Desipe na construção do túnel. "Se saíssem por ali, os criminosos não passariam em frente ao Batalhão da PM, que fica ao lado do complexo penitenciário", explicou. O diretor do Departamento de Sistema Penitenciário (Desipe), Manuel Pedro da Silva, instaurou comissão para apurar a escavação a menos de 100 metros de quatro guaritas do presídio.Ele quer descobrir ainda quem foi o engenheiro que projetou o túnel e o topógrafo que traçou o caminho para a escavação. "Com certeza, aqueles três funcionários foram orientados por alguém. Em determinado momento o túnel faz uma curva, isso não foi aleatório", afirmou o diretor.Dos três operários, Geraldo Martins Lira foi preso e disse que era pago quinzenalmente por um homem que o contratou. Ele fez um retrato falado do encarregado da obra. Segundo a polícia, o homem é moreno, tem aproximadamente 1,70, cerca de 40 anos, olhos castanhos, cabelos grisalhos, bigode e cavanhaque.O diretor Manuel Pedro Silva disse que os primeiros suspeitos de serem os "donos" do túnel são nomes do alto comando do tráfico de drogas. "Estão sendo investigados Marcinho VP, Uê, Isaías do Borel, os grandes traficantes", disse. O túnel estava sendo construído em direção ao presídio de segurança máxima Bangu 3, mas poderia ser desviado para Bangu 1 - o espaço de uma rua divide as prisões.De amanhã, agentes penintenciários e policiais militares contiveram um princípio de rebelião no presídio Evaristo de Morais, em São Cristovão, zona norte do Rio. Segundo a direção do presídio, os policiais evitaram a fuga de internos que, revoltados, subiram para o telhado da penitenciária, onde atearam fogo em telhas de plásticos. A confusão durou cerca de uma hora, mas foi controlada pela polícia.Bombeiros foram chamados ao local para apagar o foco de incêndio.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.