Denunciados PMs acusados de matar jovens no litoral paulista

O sargento da Polícia Militar Everaldo Machado de Lima e o soldado Ricardo Leão, acusados pelo Ministério Público de participação num grupo de extermínio na Baixada Santista, responsável pela execução de cinco rapazes foram denunciados à Justiça de Praia Grande, litoral sul de São Paulo, pelo promotor Walfredo Cunha Campos. Leão esteve preso na Corregedoria da corporação em 1999 como suspeito de ter participado de outra chacina, também em Praia Grande, com oito mortos, mas acabou sendo liberado, pois nada foi apurado contra ele. "Os dois militares foram identificados porque o soldado Ricardo deixou cair próximo do local da execução seu celular", disse o promotor. A chacina ocorreu na noite de 18 de setembro no bar do André, no Balneário Esmeralda, Praia Grande. Os acusados e os três cúmplices "que podem ser também policiais militares", estavam à procura do ladrão conhecido por Boy, apontado como autor do roubo de uma arma semi-automática em 2 de setembro, pertencente ao soldado PM José Rogério Correia de Andrade. Segundo o promotor, irritados com o roubo, "o soldado Ricardo, o sargento Everaldo e os demais resolveram ir à desforra. Encapuzados, passaram a percorrer os bares do balneário em busca de Boy." Estiveram primeiro no bar do Guri, onde as pessoas que bebiam e conversavam foram obrigadas a deitar no chão. Perguntaram se um deles era Boy e revistaram todos. Roubaram a carteira de um dos fregueses, cujo nome está sendo mantido em sigilo, com R$ 400, cartão do Banespa e cédula de identidade. Celular Os cinco homens saíram apressados do bar. O PM Leão, na fuga, deixou cair o celular que foi encontrado por uma testemunha e entregue à Polícia Civil. "O telefone foi importante para a seqüência das investigações e identificação dos dois PMs na execução", afirmou Campos. Deixando o bar do Guri, os cinco foram para o bar do André em busca de Boy. Seis rapazes que estavam na calçada foram obrigados a deitar no chão. O operário Antonio de Almeida Caldas não concordou. "Por não ter obedecido ele recebeu violenta coronhada na cabeça e, caindo ao chão, foi executado com disparos de arma de fogo sem ter tido a chance de reação", afirmou o promotor em sua denúncia. Na seqüência, os PMs e seus cúmplices deram muitos tiros e mataram Alexandre Guilherme da Silva, Williames Lima dos Santos, Luiz Fernando Gonçalves e Luiz Henrique Pereira. G.A.F., baleado na cabeça e nas costas, foi levado ao hospital e depois passou a fazer parte do programa de proteção à testemunhas. Os PMs foram denunciados por homicídio e roubo. As investigações continuam para a identificação dos demais matadores.

Agencia Estado,

03 de abril de 2002 | 20h58

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