Denúncias aumentam em 12%

Especialista sugere que pais alertem filhos sobre riscos

Mônica Cardoso e Valéria França, O Estadao de S.Paulo

17 de novembro de 2008 | 00h00

A sociedade está cada vez mais vigilante em relação à violência contra crianças e adolescentes. A soma das denúncias registradas até outubro chegou a 8.013 em todo o País, 12,5% maior que o total de 2007, que ficou em 7.121, de acordo com os dados do Disque-Denúncia da Secretaria Especial de Direitos Humanos (SEDH), vinculada ao Ministério da Justiça. "As pessoas estão mais atentas. E já não ignoram o que se passa na casa do vizinho", diz Ariel de Castro Alves, do Conselho Nacional dos Direitos da Criança e Adolescente. O Estado de São Paulo lidera o ranking, com 1.097 denúncias, seguido pela Bahia, com 980, e Minas, com 689. Em nono lugar, com 311 denúncias, está o Paraná. Com a morte de Lavínia Rabech da Rosa, de 9 anos, foram três casos de assassinatos e abuso sexual só neste mês no Estado. Todas as vítimas tinham a mesma faixa etária, ou seja, estavam na fase de transição entre a infância e a adolescência. "Apesar de terem um corpo quase na puberdade, nessa fase elas ainda pensam como crianças", diz o psiquiatra Eduardo Ferreira-Santos, doutor em Violência Urbana pela Universidade de São Paulo (USP). Por isso, tornam-se alvos fáceis. "O pedófilo ataca as vítimas mais frágeis, que não conseguem se defender", explica o pediatra Lauro Monteiro Filho, editor do site Observatório da Infância. Além de frágeis, são ingênuas e, portanto, fáceis de serem enganadas. "O psicopata é um grande sedutor", diz Eduardo Ferreira-Santos. Nessa hora, a informação vira tática de prevenção. Além das velhas recomendações como não aceitar coisas de estranhos e não pegar carona, é necessário mostrar que existem de fato pessoas com más intenções. As crianças precisam aprender a desconfiar e, no caso de dúvida, sair correndo para pedir ajuda. "No meu tempo, falava-se no homem do saco, que roubava crianças", diz o médico, de 56 anos. Hoje, a história é outra. "Nunca faça ameaças, provocando medo nos pequenos", avisa o psiquiatra. "Crianças amedrontadas transformam-se em adultos que não arriscam. E, para se dar bem no mundo, é preciso arriscar." Entre os conselhos para os pais, estão ser vigilante e ficar atento a tudo que acontece com os filhos. Mas não apenas com os próprios filhos. Em caso de violência, contra a criança e o adolescente, basta ligar para o Disque 100.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.