Denúncias de fraude marcam eleições na Nigéria

Observadores internacionais temem que o roubo de urnas tenha comprometido a confiança nas eleições realizadas sábado passado na Nigéria, que estão sendo consideradas como um teste para a democracia e a estabilidade no país mais povoado da África, com 126 milhões de habitantes. A Nigéria é um dos maiores exportadores de petróleo para o Brasil e os EUA. O presidente e candidato à reeleição, Olusegun Obasanjo, um cristão do sudoeste, lidera disparado a apuração dos votos, apesar da forte oposição do Norte do país, dominado pelos muçulmanos. O partido de Muhammadu Buhari, principal adversário de Obasanjo, afirma que "toda a eleição foi uma imensa brincadeira", segundo o porta-voz, Sam Nda-Isai. "No que nos concerne, a democracia fracassou", disse. A condenação pelo partido de Buhari reforça a divisão étnica e religiosa que tem sido a causa de frequentes conflitos na Nigéria. Jornalistas e observadores presenciaram casos de suposta corrupção, incluindo roubo de urnas e oferta de propinas. "Temos sérias preocupações em relação à legitimidade dos resultados em algumas regiões", disse Kenneth Wollack, presidente da Instituição Democrática Nacional, com sede em Washington. A comissão eleitoral prometeu desconsiderar os resultados nos casos em que forem comprovadas as fraudes. No entanto, o comissário eleitoral Abel Guobadia insistiu que as eleições foram legítimas. Os primeiros resultados da apuração mostram que Obasanjo tem 61% dos votos, ante 33% de Buhari. O partido de Obasanjo também venceu o governo em 21 dos 24 Estados apurados até agora.

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