WILTON JUNIOR/ESTADAO
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‘A primeira coisa que vi foi o sorriso. Chorei na hora’, diz pai de menino adotado aos 11 anos

O professor de Português Thiago Zalinsq Almeida, de 36 anos, adotou os meninos Crystopher Sidwald e José Roberto

Thiago Zalinsq Almeida, professor de Português no Rio

16 Novembro 2017 | 04h00

Tomei a decisão de adotar uma criança quando tive minha estabilidade financeira e emocional. Entrei com o processo para adotar e demorou dois anos para ser habilitado. Por ser solteiro, não optei por bebê. Optei por um menino de 3 a 10 anos de idade, de cor indiferente. Em um domingo à tarde, a doutora Gleide (da 1.ª Vara Especializada da Infância e Juventude de Cuiabá) me ligou e falou do meu filho (Crystopher Sidwald, na época com 11 anos, hoje com 12). Meu coração queimou. Falei: “É esse”. 

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Depois, ela me autorizou a vê-lo por foto no WhatsApp. A primeira coisa que eu vi (na foto) foi o sorriso. Chorei na hora. Depois fui para Cuiabá. Na primeira aproximação, a resposta dele foi muito fria, mas aos pouquinhos fui tentando conquistá-lo. Voltei ao Rio e fiquei conversando com o Sid pela internet, com autorização da juíza. No fim de dezembro (de 2016), voltei a Cuiabá, ele estava terminando o ano letivo. A juíza disse que o mandaria (para o Rio) sozinho no avião, mas não aceitei. Queria juntamente com ele cortar o cordão umbilical do abrigo porque ele foi deixado lá com 1 ano. Era o menino mais velho ali. Queria dizer que ele tinha uma família que o amava. 

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Também tive contato com o melhor amigo dele no abrigo. Um menino negro, carismático, de coração de ouro, o José Roberto (de 10 anos), que me falava o tempo todo: “Me leva também”. Não podia levar, mas prometi que o buscaria. 

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Os dois primeiros meses com o Sid foram os mais difíceis da minha vida. Quando temos um filho, queremos ser amados por ele também. Mas a obrigação de amar não é da criança, é minha. Para quebrar o gelo, foi uma luta. As crianças ficam testando para ver até onde você vai. E eu falava: “Independentemente do que você faça, eu vou te amar”. A gente tinha de se construir como pai e filho. Até que um dia, quando vinha uma assistente social aqui em casa, eu falei: “Filho, estou muito nervoso”. E ele respondeu: “Eu também, pai”. E me abraçou. O primeiro abraço espontâneo foi lindo. 

Mas meu coração ainda estava queimando pelo José. Então eu o trouxe em junho. Estou criando dois homens de caráter, que vão saber lidar em sociedade, sem preconceito. Quando me dei conta de que era pai, o mundo se transformou. É divino e indescritível. Minha família está completa. 

 

 

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