Depoimento de empresário tumultua CPI do Lixo

O depoimento do proprietário da empresa Global Serge Ltda., Onofre Visconti Oliveira, reforçou a suspeita de irregularidade nos contratos de emergência de limpeza feitos pela prefeita Marta Suplicy (PT), no início do ano. A conclusão é dos vereadores que integram a CPI do Lixo.A Global, uma das empresas contempladas nos contratos, foi afastada, porque se descobriu que seu endereço era o mesmo da produtora VBC, que atuou na campanha de Marta para a Prefeitura.O empresário foi ouvido pela comissão, nesta terça-feira de manhã. Seu depoimento provocou uma confusão entre vereadores que integram a CPI, que chegaram a pedir a prisão de Oliveira.O tumulto começou após Oliveira ter afirmado que a empresa de limpeza foi criada e era mantida com US$ 500 mil, cuja origem não foi esclarecida. "Ele disse que juntou o dinheiro a vida toda e o guardava em casa", afirmou o presidente da CPI, Devanir Ribeiro (PT).O problema, disse Ribeiro, é que ele não explicou como economizou tanto, se recebia cerca de R$ 900,00 de aposentadoria, nem como comercializava os dólares. Além disso, não declarou o dinheiro à Receita Federal.A explicação não convenceu alguns vereadores, que consideraram a confissão grave e solicitaram providências à Assessoria Militar da Câmara."Ele tinha de ser preso, pois ninguém pode guardar tantos dólares em casa", disse Milton Leite (PMDB), que integra a CPI e é responsável pelas investigações sobre os contratos firmados pela administração petista.Leite acionou os policiais militares da Casa, que informaram a Polícia Federal, que vai analisar a denúncia.O presidente da CPI preferiu a prudência ao comentar o episódio. Segundo Ribeiro, não havia motivo para prender Oliveira, pois não houve nenhum flagrante de crime. "A CPI não tem poder para mandar prender ninguém. Eu queria que ele ficasse detido para se averiguar se o endereço que deu como sendo de sua casa era verdadeiro."Mesmo assim, o petista admitiu que a versão é frágil e reforça a suspeita sobre o contrato firmado com a Global. "Essa empresa já é suspeita, tanto é que a Prefeitura suspendeu os contratos, e a Global não recebeu nada pelos serviços. Ele vai ter de explicar como conseguiu e guardava uma quantia dessas."Opinião semelhante tem o relator-geral da comissão, Antonio Carlos Rodrigues (PL). "Não dá para acreditar nessa história de US$ 500 mil", disse. Uma das suspeitas do parlamentar é que Oliveira tenha sido usado como "laranja" nos contratos entre a Global e a Prefeitura. "O depoimento aumenta as suspeitas sobre os contratos", disse Rodrigues.No fim do dia, a CPI enviou requerimentos em que narra o episódio à Receita Federal, Polícia Federal e Ministério Público Estadual (MPE), para que os fatos sejam apurados. Além disso, deve quebrar o sigilo telefônico de Oliveira, que será convocado para novo depoimento.

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