Depoimento de filho de Brizola cria polêmica na CPI

O depoimento do presidente da Loteria do Estado do Rio Grande do Sul (Lotergs), José Vicente Brizola, à CPI da Segurança Pública criou confusão na Assembléia Legislativa, obrigando os parlamentares da oposição a assumirem uma postura defensiva.Convocado a falar sobre as supostas ligações do governo gaúcho com os donos de bingos interessados na regulamentação de várias modalidades de jogos ilícitos, o filho do presidente nacional do PDT, Leonel Brizola, mostrou uma cópia da sua agenda, desde 21 de fevereiro, e informou que recebeu inclusive um vereador do PDT (partido do relator da CPI, Vieira da Cunha) e um deputado da CPI, Luís Augusto Lara (PTB), para tratar da legislação das loterias. Ele admitiu que também já recebeu empresários internacionais do ramo dos jogos, mas negou que o governo esteja negociando a legalização dos chamados "caça-níqueis". "Tenho obrigação de receber quem quer que seja, mas nenhuma ilação a mais é válida", afirmou José Vicente.O vereador Hélio Costa de Oliveira, de Santo Ângelo, reuniu-se com José Vicente no último 13 de julho. Ele é um ex-colaborador da empresa Juni, responsável pela modalidade de chances múltiplas "Mais Fácil".O deputado Lara fez contato com o presidente da Lotergs em 9 de abril, depois de uma viagem a Buenos Aires, como presidente da Comissão Especial do Mercosul. Nessa viagem, o parlamentar foi questionado sobre a legislação das loterias pelo dono da Lincoln Trade Center, o argentino Raul Orion."Eu informei o deputado que a questão das videoloterias estava sendo estudada e que já havia recomendação contrária do Ministério Público", disse José Vicente."Faço papel de embaixador dos negócios do Rio Grande do Sul, mas não admito que se faça qualquer tipo de insinuação de que intermediei os interesses desse empresário argentino pela videoloteria", afirmou Lara.Ele chegou a marcar uma nova reunião com José Vicente para junho, mas desmarcou o encontro depois que a CPI foi instalada e começou a investigar o assunto.O governo do Estado publicou um decreto instituindo a modalidade de videoloteria no início do ano, mas recuou depois de uma advertência do Ministério Público de que estava invadindo a competência da União.De acordo com os dados da Secretaria Estadual da Fazenda, o Rio Grande do Sul poderia arrecadar cerca de R$ 35 milhões com a legalização dos "caça-níqueis" e de outras três modalidades de jogos (loteria on line, bingo gaúcho e chances múltiplas)."Há muitos interesses econômicos em jogo que seriam contrariados com a regulamentação desses jogos em esfera estadual", afirmou o líder do governo gaúcho, Ivar Pavan (PT).Para o relator da CPI, as máquinas de "caça-níqueis" têm servido para a lavagem de dinheiro da máfia italiana. Ele deverá convocar o procurador Luiz Francisco de Souza para falar sobre as investigações que já fez sobre as conexões dos jogos ilícitos com o crime organizado.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.