Depoimento de mãe desmonta versão sobre morte de garoto

Os criminosos que roubaram o carro da comerciante Rosa Cristina Fernandes e mataram seu filho, João Hélio, de 6 anos, usavam duas armas no momento do assalto. Foi o que ela disse nesta sexta-feira, em depoimento ao delegado Hércules Nascimento, titular da 30.ª Delegacia Policial (Marechal Hermes). Assim, Rosa desmonta a versão de que os assaltantes usaram uma arma de brinquedo. Ela contou que os bandidos bateram com as armas no vidro do carro e que, pelo som produzido, elas eram feitas de metal. Rosa depôs no fim da tarde, em local e horário não revelado. Tudo para evitar a presença da imprensa. Nascimento contou que ela não conseguiu fazer o reconhecimento das fotos dos assassinos do filho por estar muito nervosa. Isso acontecerá na fase judicial do processo. A irmã de João Hélio, Aline, de 14 anos, que também estava no carro da família no momento do crime, não depôs porque passa por tratamento psicológico. Ela viu o irmão, preso pelo cinto de segurança, ser arrastado pelos ladrões, na noite do dia 7. Mãe e filha devem depor ainda no processo aberto na 2.ª Vara da Infância e da Juventude para determinar a punição do menor E., de 16 anos, envolvido no caso. Segundo o titular da Vara, juiz Guaraci Vianna, o depoimento dos parentes de João Hélio será marcado no próximo dia 6. Nessa data serão ouvidos, na condição de testemunhas, os outros quatro integrantes da quadrilha e as testemunhas arroladas pelo Ministério Público. Rosa e Aline não necessariamente precisarão estar frente à frente com o acusado. "A vítima não é obrigada a aprestar depoimento na frente do acusado. Se ela pedir, ele será retirado da sala", explicou o juiz. Simulação Na noite de quinta-feira, depois de ter feito a simulação do assassinato, na presença de peritos, o delegado Hércules Nascimento fez o teste de visibilidade no trajeto de sete quilômetros por onde o garoto foi arrastado. A polícia concluiu que havia condições para as testemunhas reconhecerem os rostos dos criminosos. Um laudo será anexado ao processo. Sem anunciar à imprensa para que os flashes dos fotógrafos e a iluminação das equipes de TV não atrapalhassem o trabalho, ele e os peritos do Instituto Carlos Éboli voltaram aos locais onde as testemunhas disseram ter estado. O laudo ainda não foi enviado ao delegado, mas ele garante não ter observado nada que impedisse a visibilidade por parte das testemunhas. "No caso do motoqueiro que alertou os ocupantes do carro sobre a criança sendo arrastada e acabou sendo ameaçado por Diego (Diego Nascimento da Silva), que estava armado no banco do carona, a visibilidade era total. O local, na Av. Intendente Magalhães, no bairro de Campinho (zona norte), já estava iluminado com holofotes para o carnaval", explicou Nascimento. O delegado vai aproveitar o período do carnaval para escrever o relatório final do inquérito, embora ainda não considere o caso terminado. Matéria atualizada às 21h51

Agencia Estado,

16 Fevereiro 2007 | 20h08

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