Depois de 70 anos, Enseada de Botafogo terá prédio assinado por Niemeyer

Torre fará parte do complexo que abriga a Fundação Getúlio Vargas e deve consumir mais de R$ 100 milhões até ser entregue em 2013

Bruno Boghossian, O Estado de S. Paulo

15 de setembro de 2010 | 17h08

Um novo prédio de 19 andares assinado por Oscar Niemeyer vai marcar a paisagem da enseada de Botafogo, cartão-postal da zona sul do Rio. A torre fará parte do complexo que abriga a Fundação Getúlio Vargas (FGV) no mesmo endereço e deve ficar pronta entre o fim de 2012 e o início de 2013 - quase 70 anos depois da concepção do projeto original, feito pelo arquiteto.

 

A expansão da sede da instituição no Rio deve atender ao crescimento do setor de pesquisas e ensino. Estão nos planos a criação de departamentos de Matemática Aplicada e Ciência da Informação, associados às áreas de referência da FGV: Ciências Sociais, Economia, Administração e Direito.

 

"Atualmente, é preciso saber aplicar conhecimentos que você não aplicava há 10 anos. Há uma miríade de informações sobre a Justiça, por exemplo, que podem ser estudadas em um tempo mais curto com a ajuda da tecnologia", avalia o presidente da FGV, Carlos Ivan Simonsen Leal.

 

A segunda torre do complexo terá aspecto semelhante ao edifício já existente e será batizada com o nome de Oscar Niemeyer. A obra deve consumir mais de R$ 100 milhões em até dois anos e meio - incluindo a construção de uma esplanada entre os prédios, com auditórios e uma biblioteca.

 

Niemeyer criou em 1944 os desenhos dos edifícios da recém-fundada FGV, traçando os famosos pilares em formato de V que sustentam a entrada do prédio principal e se tornaram a logomarca da instituição. A primeira torre, com 14 andares, foi inaugurada em 1968, mas o restante da construção só começou a sair do papel este mês.

 

Novas modificações foram feitas no projeto, com o objetivo de adaptar o prédio aos padrões atuais de eficiência energética e sustentabilidade. Visualmente, será mantida a fachada com colunas de janelas escuras que marcam os prédios.

 

Polêmica. A intenção de construir a nova torre existe há cerca de 20 anos, mas não pôde seguir adiante devido ao gabarito estabelecido pelo Projeto de Estruturação Urbana de Botafogo, que, desde 1983, limitava em três andares os novos edifícios comerciais da região.

 

Em 1999, a Prefeitura apoiou a aprovação de uma legislação específica na Câmara de Vereadores permitindo a obra. Niemeyer, então com 92 anos, fez alterações no desenho da segunda torre, mas os planos foram interrompidos mais uma vez devido a uma disputa na Justiça com a associação de moradores do bairro. A FGV venceu a batalha no ano passado e começa a erguer agora o novo prédio, apesar de ainda haver polêmica em relação ao projeto.

 

"O adensamento daquela área vai prejudicar o bairro, com o aumento dos congestionamentos na praia e a poluição sonora causada pelo heliporto que pretendem fazer. É um retrocesso, pois envolveu uma mudança de legislação que não envolve nenhum interesse público", afirma Regina Chiaradia, presidente da Associação de Moradores de Botafogo.

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