Depois de crime, fiscal da Prefeitura trabalha à paisana

Os ficais da Prefeitura que combatem o comércio ilegal no centro da cidade estavam trabalhando na manhã deste sábado, na região da Rua 15 de Novembro, à paisana, sem o colete de identificação. Segundo funcionários da Subprefeitura da Sé, os fiscais estão recebendo ameaças de camelôs da região. Na quinta, teria circulado entre os vendedores ambulantes um panfleto jurando morte aos ficais. O clima ficou tenso entre os camelôs e os fiscais desde a última quinta-feira, quando o fiscal Misael Joaquim Vicente foi morto a facadas por um ambulante que teve sua mercadoria apreendida. Na madrugada de sexta-feira, a PM flagrou os vendedores ambulantes Alessandro Roberto dos Santos, de 20 anos, André Libanio da Silva, de 21 anos e José Jailson Ferreira Neto, 28 anos, andando armados no Largo São Bento. Segundo os policiais do 1º Distrito Policial, no bairro da Liberdade, quando os camelôs perceberam a presença da polícia no local, jogaram as armas no chão. Os policiais militares apreenderam três revólveres calibre 38 e 11 cartuchos para revólver calibre 38, um deles estava de deflagrado. De acordo com a polícia, os indiciados confessaram ter comprado as armas no bairro de São Mateus, na zona leste, e afirmam que não tinham registro ou porte, que apenas utilizariam as armas num "acerto de contas". Os três ambulantes foram presos no 1º DP. O camelô conhecido como Índio, acusado de matar o funcionário da Prefeitura, tinha ameaçado de morte o fiscal Marcos Antonio Santos, 24 anos, e seu coordenador José Carlos Pivetti, por ter sua mercadoria apreendida duas vezes seguidas. Na tarde de quinta-feira ele cumpriu a promessa, esfaqueou dois funcionários. Um deles era Pivetti, o outro deveria ser Marcos, mas como ele pediu para sair mais cedo do trabalho nesse dia, por estar sentindo dores no ombro esquerdo, Misael que estava cobrindo o horário do colega acabou sendo atingido. Ferido na jugular depois de tentar defender Pivetti, Misael tentou ainda ir até o posto da Polícia Militar na Praça da Sé, a cerca de 30 metros do local onde foi atingido, para pedir socorro. Quando a ambulância chegou no local, ele já estava morto. Pivetti foi internado no Hospital do Servidor Público Municipal e passa bem. Quando Marcos soube da morte do colega, ao chegar na Subprefeitura Sé, a primeira coisa que pensou é que ele deveria estar no lugar de Misael. "Não acreditei quando me disseram. Ainda não acredito agora, depois do enterro." Marcos e Misael foram admitidos juntos, havia um ano, para a frente de trabalho contra o comércio ilegal da Prefeitura. "Ele era muito tranqüilo e educado", disse Marcos. A polícia divulgou na sexta-feira o retrato falado de Índio. Os investigadores do 1º Distrito Policial estão à procura do ambulante conhecido como Bastos, que seria chefe do assassino e pode ter participado do crime.

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