Depois de dia tumultuado, domingo é tranquilo em complexo prisional do Recife

No sábado, um detento foi morto e outros dois ficaram feridos em tumulto; quatro mortes foram registradas nas últimas semanas

Angela Lacerda, O Estado de S. Paulo

01 de fevereiro de 2015 | 15h53

RECIFE - Depois de um dia de tumulto que resultou na morte de um detento no Complexo Prisional do Curado, no Recife, o domingo, 1º, dia de visita de familiares, é de tranquilidade.

"Por uma questão de bom senso e para evitar um problema maior", de acordo com o presidente do Sindicato dos Agentes e Servidores no Sistema Penitenciário de Pernambuco (Sindasp-PE), Nivaldo Oliveira Junior, a categoria acatou a decisão do governo estadual de iniciar a entrada dos familiares às 7 horas. Os agentes fazem Operação Padrão por melhores salários e condições de trabalho. Neste sábado, 31, eles não permitiram o início da entrada de visitas íntimas antes das 8h30. A demora provocou a revolta dos detentos que começaram a jogar pedras nos guardas e tentaram chegar à entrada do complexo, na intenção de fuga.

O secretário estadual de Ressocialização, Éden Vespasiano, determinou apuração das circunstâncias da morte do detento David Bezerra dos Santos, 20 anos. Ele Já chegou morto ao Hospital Otávio de Freitas, onde outros dois detentos - Alisson Avelino da Silva, 21 anos, e Diogo Santos de Lima, 20 anos - passaram por cirurgia e se recuperam bem.

Nivaldo Júnior informou que os secretários ligados à segurança pública irão receber os agentes penitenciários nesta quarta-feira, 4, para discutir as reivindicações da categoria. Se não houver acordo, eles farão uma paralisação de advertência no próximo final de semana e poderão optar por uma greve por tempo indeterminado em assembleia marcada para o dia 10, às vésperas do carnaval.

O Estado enfrenta problema de superpopulação carcerária, com 31 mil presos para 11 mil vagas. Depois de uma rebelião de três dias, neste mesmo complexo prisional, com três mortes - um policial militar e dois detentos - em protesto contra a demora no julgamento de processos judiciais, o governador Paulo Câmara (PSB) decretou estado de emergência por 180 dias.

Antes e depois da rebelião os detentos podiam ser vistos circulando livremente no pátio interno do complexo e na laje, portando foices e facões, além de celulares. Na sexta-feira, 30, uma bomba foi desativada pela polícia junto ao muro externo do complexo.

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