Depois de uma semana, 17 corpos são resgatados a 1.150 km do Recife

9 já estão a caminho de Fernando de Noronha na fragata Constituição; 8 foram achados pela marinha francesa

Mônica Bernardes, RECIFE; Ângela Lacerda, FERNANDO DE NORONHA, O Estadao de S.Paulo

07 de junho de 2009 | 00h00

Uma semana após o desaparecimento do voo 447 da Air France sobre o Oceano Atlântico, a Aeronáutica e a Marinha, com auxílio de militares franceses, resgataram ontem mais 15 corpos a 1.150 quilômetros do Recife. No total, 17 já foram localizados. Uma fragata francesa recolheu 8 corpos ontem e as equipes brasileiras resgataram 7. O número deve crescer, porque mais cadáveres continuam a ser avistados, por ar e por mar. A perícia - catalogação e coleta de impressões digitais e de material genético - deve começar amanhã, após a chegada dos corpos a Fernando de Noronha, distante 900 km da área.O assessor de Comunicação da Aeronáutica, tenente-coronel Henry Munhoz, anunciou também, na noite de ontem, que "dezenas de elementos estruturais" do Airbus A330, que seguia do Rio para Paris com 228 ocupantes, foram encontrados e recolhidos. Entre os itens estão roupas, máscaras de oxigênio, pedaços da fuselagem, fios, equipamentos eletrônicos, poltronas e peças plásticas do avião. O número de objetos das vítimas chega a "centenas".Nove corpos - quatro do sexo masculino, quatro do sexo feminino e um não identificado - estavam sendo transportados pela fragata Constituição para uma área mais próxima de Fernando de Noronha ontem. O navio segue à velocidade de 40 km/h. O trajeto final até o arquipélago, a cerca de 300 km, será completado pelo helicóptero Blackhawk. Após perícia inicial da Polícia Federal, os corpos seguirão para o Recife.O sexo dos corpos recolhidos pela fragata Ventôse, da França, não foi divulgado. A Aeronáutica e a Marinha não informaram como será, nos próximos dias, essa remoção da região de buscas, localizada a 69,5 km do ponto do último sinal de pane do Airbus. "Estamos todos fazendo o melhor possível. A coleta de corpos e fragmentos acontece paralelamente, mas a prioridade é sempre dos corpos", destacou Munhoz. O militar confirmou que corpos e materiais estavam em águas jurisdicionais brasileiras.Os militares negaram-se a dar informações sobre as condições dos corpos. "Não achamos que essas informações sejam de interesse público", afirmou Munhoz. Antes das entrevistas coletivas, as informações são repassadas aos parentes das vítimas no Brasil e na França. O assessor informou que as embarcações têm equipamentos para a conservação dos corpos. A operação conta com seis navios, sendo um francês, e 14 aeronaves, entre aviões e helicópteros, duas delas francesas.DEFINIÇÃO DA ÁREAO capitão de fragata Giucemar Tabosa, do Centro de Comunicação da Marinha, afirmou na manhã de ontem que a área de buscas está concentrada, mas sujeita a expansão. Ele explicou que, apesar da concentração de corpos e objetos em uma região, os trabalhos continuarão a ser feitos em outros pontos, seguindo os cálculos feitos a partir da movimentação das correntes marítimas."Os navios estão atuando naquela área, mas as aeronaves estão circulando em vários outros pontos", explicou o capitão. "A cada descoberta, a área de buscas se amplia."IDENTIFICAÇÃOEm Noronha, a equipe da PF, com oito peritos, vai coletar material genético para exames de DNA em Brasília e de impressões digitais dos corpos em que haja condições de obtê-las. "Esse trabalho começa agora e não tem fim, até que o último corpo recolhido seja identificado", afirmou o coordenador da equipe no arquipélago, Jeferson Evangelista Correia. Serão catalogados também objetos como anéis, relógios, brincos e roupas. Os trabalhos em Noronha devem durar um dia e depois continuarão no Recife.No Instituto de Medicina Legal (IML) de Pernambuco, uma equipe de peritos já aguarda a chegada dos corpos para iniciar os trabalhos de identificação. Se for preciso, o órgão vai providenciar uma estrutura de campanha, com reforço de caminhões frigoríficos para a realização de necropsias. Ainda não há informação sobre a vinda de familiares das vítimas para o Recife, mas o IML e o Comando Militar informaram que "estarão à disposição dos parentes".

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