Deputado chama novo ministro de 'bandido'

Deputado chama novo ministro de 'bandido'

Acusado por Chiarelli e de aparelhar a Conab, Wagner Rossi toma posse na Agricultura e, irritado, nega irregularidades

Denise Madueño, Fabíola Salvador, O Estado de S.Paulo

01 de abril de 2010 | 00h00

BRASÍLIA

Enquanto o novo ministro da Agricultura, Wagner Rossi, tomava posse em solenidade com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no Palácio do Itamaraty, a poucos metros dali, do outro lado da rua, no plenário da Câmara, o deputado Fernando Chiarelli (PDT-SP) chamava o novo titular da pasta de "bandido" em um discurso inflamado.

"É uma dor de morte que se abate sobre a alma deste brasileiro ao ver empossar-se em um ministério de tamanha importância, quanto é o Ministério da Agricultura, um bandido público, um honorável bandido como o senhor Wagner Rossi, que já saqueou o Banco do Estado em São Paulo, que já saqueou o Baneser em São Paulo, que já saqueou o Porto de Santos", disse Chiarelli. O deputado é alvo de uma queixa encaminhada pelo novo ministro ao Supremo Tribunal Federal (STF).

Cargos. De outro flanco, o novo ministro foi atacado por aparelhar a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), que presidia antes de ir para a Agricultura. "Não há irregularidades e por isso o presidente não me cobrou nada", disse Rossi, bastante irritado, ao ser questionado sobre se teria conversado com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre supostas irregularidades na Conab. Rossi teria distribuído e loteado 20 cargos, que deveriam ser técnicos, a aliados políticos.

Rossi disse aos jornalistas que não cometeu irregularidade ao nomear seus assessores na Conab. Afirmou que apresentou todas as justificativas ao Tribunal de Contas da União (TCU), que apontou irregularidades em sua gestão. Rossi irá ocupar o Ministério da Agricultura em substituição a Reinhold Stephanes, que disputará a reeleição para deputado federal pelo Paraná.

Depois, no discurso de posse, ele afirmou que vai "manter a equipe, com mínimas e pontuais mudanças". Ele aproveitou para mandar um recado para aqueles que preferiam uma indicação técnica para o ministério.

"Vou ser um parceiro. Serei mais um a puxar para o mesmo lado. Para o lado da agricultura", afirmou. Citando Ulysses Guimarães, Rossi disse que vai conduzir o ministério com "humildade". "Ulysses Guimarães dizia que o diabo não é esperto porque é o diabo; ele só é esperto porque é velho."

O novo ministro sinalizou que a revisão da legislação ambiental é um dos grandes desafios de sua gestão. "É preciso conciliar expansão e necessidade de preservação", disse, defendendo a posição dos produtores rurais. "Quem deve dizer como se preserva a natureza é quem produz. Ninguém preserva melhor que o produtor rural", afirmou. "É ele quem preserva suas nascentes, preserva a mata ciliar."

Rossi criticou também quem fala em preservação ambiental sem conhecer a realidade do campo. "Não são aqueles que, mesmo com boas intenções ou bons sonhos, pensam o mundo a partir de suas cabeças", declarou. "Os clássicos nos ensinam que o mundo deve ser pensado a partir do real."

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