Deputado cita testemunha de esquema

Major Olímpio promete revelar ao Conselho de Ética nome de dirigente de entidade que lhe teria relatado uso de 'artifícios criminosos'

FERNANDO GALLO, FABIO SERAPIÃO, JORNAL DA TARDE, O Estado de S.Paulo

20 Outubro 2011 | 03h00

O deputado Major Olímpio (PDT) promete levar ao Conselho de Ética da Assembleia, em depoimento marcado para hoje, o nome de uma dirigente de entidade que lhe relatou o uso de "artifícios criminosos" por deputados para exigir parte do valor das emendas que concedem. Segundo ele, a mulher tem trânsito em diversas áreas do governo estadual.

"É a pessoa que acabou me ensinado que parlamentares, mesmo em primeiro ano de mandato, tinham direito a emenda parlamentar. Uma pessoa que dirige uma entidade extremamente séria", relatou Olímpio ao Estado. "E tem um grande trânsito em várias áreas do governo. É uma pessoa que goza da extrema confiança do próprio governador de São Paulo. Daí eu achar tão importante o depoimento dela."

Essa dirigente lhe teria contado que mais de um deputado se ofereceu para conceder-lhe emendas desde que, como contrapartida, ajudasse outra entidade, ainda sem os requisitos legais para receber dinheiro do Estado.

"Ela me relatou que um dos artifícios usados por parlamentares, no plural, era sempre dizer que dariam uma emenda, mas tinham outra entidade que também precisa de igual apoio, mas ainda não estava completamente regularizada para a realização de um convênio. E que o deputado gostaria muito de ajudar, mas a entidade que estava fazendo o convênio prestaria contas do total", contou Olímpio, para concluir: "Isso é uma forma, logicamente, criminosa de exigir parte das emendas".

Olímpio sustenta que, quando a dirigente da entidade lhe informou do suposto esquema, não disse quais deputados teriam pedido parte da verba. Mas afirma que o Conselho de Ética deveria ouvi-la. Por esse motivo, ele deve apresentar hoje requerimento para que ela seja convidada a depor.

"Na oportunidade ela não quis citar nomes, o que não significa que não possa fazê-lo amanhã dentro de uma apuração oficial e sob eventuais garantias que a Assembleia e o poder público poderiam dar para ela nesse momento", ressaltou.

Barbiere. Olímpio afirmou que, diante da manifestação do deputado Roque Barbiere (PTB) - pivô das acusações sobre venda de emendas parlamentares na Assembleia -, se sentiu na "obrigação de trazer esse tipo de informação e até de nominar a dirigente para que seja convidada a comparecer na comissão de Ética ou em uma CPI". "Essa forma de atuação pode ajudar, e muito, a descobrir os eventuais autores desses crimes", justificou.

O Estado apurou que a mulher, que mora em São Paulo, mas está em viagem, manifestou disposição em comparecer ao conselho.

O deputado afirma que conheceu a dirigente da entidade quando ela bateu à porta de seu gabinete para lhe pedir uma emenda. Ele estava em primeiro ano de mandato e achava que não tinha direito a fazer indicações. "Foi ela quem me levou pela primeira vez à Casa Civil. Eu estava incrédulo, dizendo que, como eu fazia oposição, não teria direito a emendas", contou.

Abafa. A base do governo na Assembleia prepara uma operação-abafa no Conselho de Ética. Embora haja temor em relação ao depoimento de Olímpio, deputados governistas acreditam que ele não apresentará ao Conselho de Ética nenhum nome de parlamentar que estaria envolvido em irregularidade, o que ensejaria o fim das investigações.

A base, que tem maioria no Conselho de Ética, ainda não decidiu o que fazer com Barbiere, que até agora não apresentou nomes dos deputados que, segundo ele mesmo, estariam vendendo emendas. Um requerimento de Carlos Giannazi (PSOL) pede que sejam tomadas "medidas previstas no Código de Ética". Nem a base nem a oposição, porém, manifestaram desejo de processar Barbiere por quebra de decoro.

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