Deputado diz que avião da TAM pousou na velocidade padrão

Efraim Filho, que integra a CPI da Câmara, afirmou que é muito cedo para se chegar a conclusões

Renata Veríssimo, do Estadão,

24 Julho 2007 | 15h49

O deputado Efraim Filho (DEM-PB) informou nesta terça-feira, que o Airbus A320 da TAM envolvido no maior acidente aéreo da história do País tinha velocidade padrão para pouso quando tentou pousar na pista do Aeroporto de Congonhas, no dia 17 de julho. "O avião pousou na velocidade padrão", afirmou Efraim, acrescentando que a velocidade no momento da colisão com o depósito da TAM Express, em frente ao aeroporto, era de 94,4 nós - o equivalente a 175 km/h. A velocidade padrão de pouso de um Airbus em Congonhas, segundo especialista consultado pela Reuters, é de 120 a 130 nós ou 222 a 241 KM/h.   Veja também:  Saiba como exigir os seus direitos  Saiba como entrar em contato com as empresas Lista de vítimas do acidente do vôo 3054  O local do acidente  Quem são as vítimas do vôo 3054  Histórias das vítimas do acidente da TAM  Galeria de fotos  Opine: o que deve ser feito com Congonhas?  Cronologia da crise aérea  Acidentes em Congonhas  Vídeos do acidente  Tudo sobre o acidente do vôo 3054   O Diretor do Centro de Investigação e Prevenção de Acidente Aeronáutico, brigadeiro Jorge Kersul Filho, confirmou, durante entrevista coletiva no final da tarde desta terça-feira, que a aeronave da TAM estava dentro da velocidade normal para aproximação e para toque na pista, no momento do pouso. "Todo avião tem, baseado pelo peso, uma velocidade de aproximação e de toque na pista. O que sabemos é que a aeronave (da TAM) estava na velocidade normal. Mas não tenho a velocidade numérica. O que sabemos é que ela não desacelerou o suficiente", disse. O brigadeiro afirmou também que todas as aeronaves autorizadas a pousarem em Congonhas operam em condições de realizar todas as manobras necessárias sem uso do reverso. "As aeronaves operam dentro da capacidade da pista. Não é a pista que tem que se adaptar às aeronaves", disse. "Mesmo sem o reverso, as aeronaves têm que ser capazes de fazer as manobras de solo", completou. Ele destacou também que cada empresa opera de acordo com a orientação do fabricante das aeronaves.  Segundo o brigadeiro, se durante a investigação, ficar comprovado que há algo que possa ser melhorado, será feita uma recomendação aos fabricantes para melhorar os manuais. O deputado, que integra a CPI da Câmara sobre a crise aérea, afirmou que é muito cedo para se chegar a conclusões, porque a informação sobre a velocidade tem que ser cruzada com outros parâmetros para uma avaliação apropriada das causas do acidente com o vôo 3054, que deixou cerca de 200 mortos. Na véspera, o deputado chegou a afirmar que os pilotos da TAM não teriam tentado arremeter (recuperar altitude) no momento do acidente, mas a Aeronáutica negou que qualquer informação das caixas-pretas tivesse sido divulgada. Efraim admitiu nesta terça que não teve acesso às gravações e dados das caixas pretas que estão sendo extraídas por técnicos do National Transportation Safety Board (NTSB). O deputado esclareceu a jornalistas que apenas repassava informação recebida do coronel da Aeronáutica Fernando Camargo, que acompanha os trabalhos. Entre as possíveis causas do acidente levantadas por especialistas até o momento estão: a pista escorregadia, versão contestada pela Infraero; o reversor direito travado, o que não impediria o uso da aeronave por 10 dias segundo TAM e Airbus; e falha humana. Efraim participou com o deputado Marco Maia (PT-RS) de encontro nos EUA com técnicos do NTSB e oficiais da Aeronáutica. Caixa-preta   O coronel da Aeronáutica, Fernando Camargo, disse que  os técnicos  do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) começarão a extrair nesta terça-feira, a transcrição da voz dos pilotos dos vôos da TAM, que está na caixa preta que chegou na segunda ao National Transportation Safety Board (NTSB), em Washington. O NTSB é o local onde está sendo realizado o processo técnico de extração de dados.   Quando voltarem ao Brasil, os técnicos da Aeronáutica cruzarão essa transcrição com as informações do vôo que estão na outra caixa preta, a de dados, como altura e velocidade, explicou.   As transcrições serão feitas em inglês para que, depois de terminada a análise da Aeronáutica brasileira, um relatório seja distribuído para o governo brasileiro, funcionários da TAM, da Airbus e da empresa norte-americana Pratt & Whitney, que forneceu os motores da aeronave. As conclusões finais da investigação podem durar meses.

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