Deputado nega ter beneficiado construtora

Campos Machado diz que não pediu recursos apenas para cidades onde Construlara atua

O Estado de S.Paulo

02 Outubro 2011 | 03h08

O deputado estadual Campos Machado, presidente do PTB paulista, negou conhecer a empresa Construlara, contratada por prefeituras beneficiadas com recursos da Secretaria de Esportes, Lazer e Juventude, órgão controlado pelo partido.

Machado também negou ter agido para beneficiar especificamente as prefeituras de Taiaçu, Guapiaçu, Irapuã e Itajobi com verbas do governo. "Não são apenas essas quatro cidades, eu encaminho pedidos de todos os prefeitos que tenham alguma ligação com o PTB", afirmou.

Miguel Del Busso, ex-chefe de gabinete da Secretaria de Esportes, negou interferir no processo de liberação de verbas da secretaria para prefeituras em favor da construtora de seu genro.

Del Busso, que é secretário do PTB paulista, defendeu Campos Machado. "É uma injustiça envolver o deputado nisso. Ele nunca esteve na secretaria, muito menos pediu alguma ajuda para algum município", afirmou. "Ele nunca pediu uma emenda, nunca pediu para atender algum prefeito."

"Nunca soube disso", disse o ex-chefe de gabinete, se referindo à contratação da Construlara. "Desconheço qualquer tipo de contratação da empresa do meu genro para obras com verbas da secretaria", afirmou. "Não sei se ele foi contratado ou não, mas os municípios têm de fazer as licitações e têm a obrigação de fiscalizar a aplicação dos recursos. Se meu genro tem uma empresa, ele deve ter feito um trabalho na região, mas se participa de licitação, e se ganha ou não, como vou saber?"

Investigação. Questionado sobre um eventual conflito ético envolvendo a posição de Del Busso na secretaria e a atuação da empresa de seu genro, Campos Machado afirmou: "Se for verdade, você tem razão, precisa ser analisado pelo aspecto ético".

O deputado anunciou que tomará a iniciativa de pedir ao Ministério Público uma investigação se ficar convencido de que há irregularidades no caso. "Assumo o compromisso. Vou requerer que se apure todos os fatos relativos a essas e a outras prefeituras."

Del Busso disse não lembrar se seu genro alguma vez comentou sobre contratação para obras com verbas da secretaria. "Nunca falamos sobre isso, que eu me lembre."

O petebista também disse que nunca intercedeu pela empresa do genro junto aos prefeitos. "Nunca pedi nada para ninguém, nunca pedi obra para quem quer seja, muito menos para a empresa do meu genro. Pode perguntar aos prefeitos e todos vão dizer isso."

O ex-chefe de gabinete disse que não tinha como saber dos tipos de contratações feitas pelas prefeituras. "Depois que a verba é liberada, o município é que se responsabiliza. O departamento de engenharia acompanha as obras, mas é um departamento que fica distante do gabinete, e eu nunca soube o que se passava por lá, porque também não era da minha conta."

Del Busso pediu cuidado com a divulgação do caso. "Essa situação só vai servir para prejudicar minha família e o deputado (Campos Machado)", disse.

Cota. O presidente do PTB de São Paulo fez questão de esclarecer que, apesar de encaminhar reivindicações de prefeitos, não usou sua cota de R$ 2 milhões em recursos do governo do Estado para beneficiar as cidades onde a Construlara atua.

Campos Machado divulgou uma lista com as indicações que fez ao Palácio dos Bandeirantes para aplicação de sua cota - o governo reserva R$ 2 milhões para que os deputados atendam às reivindicações de seus redutos eleitorais ou destinem os recursos para as entidades de sua preferência. Na lista referente a 2010, ano em que a Construlara executou suas obras, não aparecem as cidades onde ela foi contratada.

Machado admitiu, porém, receber pedidos de prefeitos e encaminhá-los à Secretaria de Esportes e outros órgãos. "É minha obrigação. Qual é o parlamentar que não faz indicações?"/CHICO SIQUEIRA E DANIEL BRAMATTI

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