Deputado que atropelou jovens tinha bebido e pode ser cassado

Carli Filho provocou acidente que matou duas pessoas; ele está internado no Hospital Albert Einstein

18 de maio de 2009 | 12h35

O deputado estadual do Paraná Fernando Ribas Carli Filho (PSB), de 26 anos, estava embriagado quando se envolveu em um acidente, na madrugada do dia 7, em Curitiba, provocando a morte de duas pessoas. Laudo do Instituto Médico Legal (IML) de Curitiba apontou 7,8 decigramas de álcool por litro de sangue. Quando o índice igual ou superior a 6 decigramas, o nível de álcool já é considerado crime. O deputado pode ter o mandato cassado.

 

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Gilmar Rafael Souza Yared, de 26 anos, e Carlos Murilo de Almeida, de 20 anos, morreram no acidente. Carli Filho está internado no Hospital Albert Einstein, em São Paulo. O sangue do deputado foi colhido cerca de duas horas depois dele ter deixado um restaurante, onde teria tomado quatro garrafas de vinho com alguns amigos.

 

"Hoje é possível informar com 100% de certeza que o deputado estava sob influência alcoólica no momento da colisão", disse o delegado da Delegacia de Delitos de Trânsito (Dedetran), Armando Braga, por meio da assessoria de imprensa. Testemunhas já tinham relatado "sinais visíveis de embriaguez".

 

Outras pessoas ouvidas pela polícia afirmaram que Carli Filho dirigia em alta velocidade, chegando a "decolar" antes de atingir o veículo ocupado pelos dois rapazes. Eles tiveram morte instantânea. O deputado recebeu 30 multas nos últimos seis anos, 23 delas por excesso de velocidade, somando 130 pontos na carteira de habilitação, que estava suspensa desde meados do ano passado.

 

A perícia deve determinar a provável velocidade do carro. Uma reconstituição do acidente está prevista para a madrugada desta terça-feira, 19.

 

Foro privilegiado

 

Em virtude de foro privilegiado, o inquérito é presidido pelo desembargador Miguel Pessoa Filho, com acompanhamento do Ministério Público Estadual e participação da Dedetran.

 

"Se ficar provado que é culpado, ele vai ter que pagar pelo que fez, de maneira nenhuma nós vamos ocultar isso ou colocar a mão na cabeça, até porque não resolveria nada", afirmou a mãe do deputado em entrevista à Rede Globo. "Não é porque tem um mandato que tem que ficar impune, isso não faria bem nem para a vida dele." O deputado foi informado sobre a morte dos jovens e continua internado para cirurgias de reconstrução da face.

 

Carli Filho pode ter o inquérito enviado à Justiça de 1ª instância se perder o cargo de deputado. A pedido da família de uma das vítimas, a corregedoria da Assembleia Legislativa instaurou nesta segunda um processo de sindicância para apurar possível quebra de decoro parlamentar.

 

Em 30 dias, o corregedor, deputado Luiz Accorsi (PSDB), pretende entregar um parecer à Mesa, que decidirá se aciona o Conselho de Ética para dar início ao processo de cassação. "Não queremos fazer disso uma novela, vamos ser o mais rápido possível, agindo com equilíbrio, com bom senso e com a razão", afirmou o presidente da Casa, deputado Nelson Justus (DEM).

 

Texto ampliado às 16h42 para acréscimo de informações.

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