Deputados alegam mudança de voto por pressão de eleitores

Um dia após rejeitar PEC, 24 parlamentares votam a favor de medida; reação nas redes sociais pesou no posicionamento

DANIEL CARVALHO, CARLA ARAÚJO e ELIZABETH LOPES, O Estado de S. Paulo

02 de julho de 2015 | 22h37

BRASÍLIA - Alegando abrandamento do texto e pressão de eleitores, 24 deputados mudaram de opinião em apenas 24 horas e decidiram votar a favor da redução da maioridade penal. Uma versão menos severa da Proposta de Emenda à Constituição (PEC 171/93) foi aprovada na madrugada desta quinta-feira, 2, por 323 votos. 

O PSB foi o partido com o maior número de mudanças em favor da PEC, com quatro deputados passando a apoiá-la, seguido por PDT e PMDB, cada um com três. 

O deputado Heráclito Fortes (PSB-PI) disse que trocou a abstenção da primeira votação por um “sim” na segunda por causa da retirada de crimes como tráfico de drogas. A mesma justificativa foi apresentada por seu correligionário Celso Maldaner (SC). “O primeiro projeto era muito abrangente”, afirmou. 

O deputado Subtenente Gonzaga (PDT-MG) afirmou que decidiu mudar o voto após a pressão das redes sociais, apesar de pessoalmente continuar contrário à proposta. “A redução não é uma medida que tenha eficácia para responder ao que a sociedade quer, que é garantir que o menor infrator não fique impune”, afirmou, ressaltando defender mudanças no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). 

Depois de críticas nas redes sociais, a deputada Mara Gabrilli (PSDB-SP) divulgou em seu perfil no Facebook as razões que a levaram a mudar o voto. “Votei sim a esse projeto, que não reduz a maioridade penal, mantendo os menores de 18 anos penalmente inimputáveis, mas abrindo uma exceção que permite que jovens entre 16 e 18 anos sejam penalizados em casos de crimes hediondos, homicídio doloso e lesão corporal seguida de morte”, disse.

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