Deputados beneficiam parentes em SP

Emendas de dois parlamentares, divulgadas ontem pelo governo após 'Estado' ter revelado suspeita de irregularidade, foram para marido e irmão

FERNANDO GALLO, O Estado de S.Paulo

01 Outubro 2011 | 03h03

Pelo menos dois deputados estaduais destinaram emendas parlamentares para beneficiar cidades comandadas por parentes. Heroilma Tavares (PTB), que dos 94 parlamentares da Assembleia foi quem mais recebeu dinheiro do governo de São Paulo em 2011, favoreceu o marido. Rogério Nogueira (PDT) destinou a verba para ajudar o irmão prefeito.

Os dados constam de material divulgado ontem pelo Palácio dos Bandeirantes após o Estado ter revelado, há uma semana, que Roque Barbieri (PTB) acusara seus colegas de negociarem com prefeitos e com empreiteiras a liberação das emendas (leia texto ao lado).

Heroilma usou R$ 1,32 milhão para elaboração de convênio do governo estadual com a cidade de Itaquaquecetuba para aquisição de equipamentos para um pronto-socorro municipal. O prefeito de Itaquaquecetuba é Armando Tavares Filho (PR), é marido de Heroilma.

De acordo com o material que o Palácio dos Bandeirantes tornou disponível, o deputado estadual Rogério Nogueira (PDT) destinou R$ 850 mil em uma única emenda à Prefeitura de Indaiatuba, comandada por seu irmão, Reinaldo Nogueira (PMDB).

Dos deputados contemplados com os restos a pagar das emendas de 2010, Nogueira foi o décimo que mais recebeu verbas - a emenda é a maior dessa lista. Se incluídas na relação as de 2011, divulgadas ontem pelo governo, é a sexta mais alta.

O site da Secretaria de Estado da Fazenda informou que a verba de Indaiatuba foi destinada à realização de "pavimentação asfáltica". O valor corresponde a 42,5% dos R$ 2 milhões a que os deputados têm direito, e a 68% das verbas que o PDT recebeu dos restos a pagar de 2010.

Nogueira afirmou não ver conflito ético no repasse de R$ 850 mil em emendas de sua autoria para a Prefeitura de Indaiatuba, administrada pelo irmão. Em sua avaliação, o valor é "até pouco". "É assim mesmo: minhas maiores emendas vão para Indaiatuba e as menores vão para onde tenho pouco voto", explicou o parlamentar.

Lista restrita. A lista apresentada pelo governo é restrita. Se considerado o ano de 2010, o valor total deveria chegar a R$ 188 milhões caso o Executivo divulgasse todas as emendas. No entanto, somadas todas as emendas de 2010 pagas em 2011, o valor total chega a R$ 26,1 milhões. Por ora, o governo não deve divulgar as emendas que foram pagas entre 2007 e 2010, justamente o período compreendido no questionamento feito à Casa Civil por Barbiere.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.