Deputados criticam autoridades da Anac no ´baile do apagão´

Repercutiu mal a presença de dirigentes da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) numa festa de casamento em Salvador, regada a muito axé, uísque e iguarias, em meio ao caos do setor aéreo. Encarregada de normatizar, regular e controlar o mercado em função do usuário, a agência teve um papel tímido durante o episódio, o que não impediu três dos seus principais executivos de se esbaldarem na festança, enquanto 18 mil passageiros - segundo estimativa da própria Anac - padeciam nos aeroportos. O presidente da entidade, Milton Zuanazzi, só não compareceu porque perdeu o vôo. "Aquilo foi o baile da ilha fiscal do setor aéreo. Com todo o respeito ao casamento, que é uma festa importante para qualquer família, os dirigentes com responsabilidade na área deveriam estar nos seus postos trabalhando pela restauração da credibilidade e operacionalidade do sistema aéreo", disse o deputado Júlio Redecker (PSDB-RS), líder da minoria. "A crise deixou claro que a responsabilidade é do governo. Está na hora de cada área assumir sua responsabilidade e a agência, como instituição do setor, também tem que assumir suas responsabilidades.", disse o deputado Rodrigo Maia (RJ), presidente do DEM (ex-PFL). "Está na hora desse pessoal do governo começar a trabalhar", completou. Personagem da notícia, flagrada na festa fumando um robusto charuto, a diretora da Anac Denise Abreu não considerou inoportuna a sua presença no chamado baile do apagão. "Casamentos são marcados e confirmados com antecedência. Ninguém podia prever uma crise aérea no mesmo dia", explicou. Além disso, segundo a diretora, o problema foi causado por um motim dos controladores de vôo e, portanto, não era da alçada da agência. "Não dizia respeito à Anac, mas ao Comando da Aeronáutica", alegou. "Essa moça é a Maria Antonieta do Lula. As pessoas desesperadas e ela fumando charuto. É um escárnio", afirmou o líder do DEM na Câmara, deputado Onix Lorenzoni (RS), que apontou ainda para os altos custos da comemoração. "Nesta festa estiveram executivos de várias empresas aéreas. Só falta ter havido uma troca de gentilezas além da presença deles", comentou. Preocupação Única diretora da Anac que demonstrou estar tensa durante a festa e não desgrudou do celular, mesmo na igreja, até que a crise fosse debelada, Denise Abreu ficou o domingo na Bahia e de lá seguiu à noite para São Paulo, a fim de participar de audiência pública, na segunda, 2, no Anhembi para definir os procedimentos da reforma da pista principal do aeroporto de Congonhas. O presidente da Anac, Milton Zuanazzi, não foi localizado para comentar o caso. Ele não foi à festa porque não conseguiu embarcar de Brasília para Salvador, devido ao tumulto nos aeroportos. Realizado na sexta-feira, o casamento, considerado o acontecimento social do ano em Salvador, foi entre Maria Eduarda, filha do ex-governador baiano Leur Lomanto, atual diretor da Anac, e Roberto Sampaio, sobrinho do governador de Santa Catarina, Luiz Henrique. A parte festiva, realizada no restaurante Trapiche, era para 800 convidados, mas só compareceram 600. Alguns desistiram justamente por causa da gravidade do momento, ou porque perderam o vôo. Outro diretor presente foi secretário-geral da Anac, Henrique Gabriel. Embora amigo da família, o líder da minoria na Câmara, deputado José Carlos Aleluia (PFL-BA), preferiu não comparecer. "Tenho estima pela família e gosto muito dos meninos, mas preferi não ir por causa da oportunidade", explicou. "Mas quem não deveria estar lá de jeito algum era a diretoria da Anac", arrematou.

Agencia Estado,

02 Abril 2007 | 00h31

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