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Deputados debatem no plenário declaração de Temer sobre mulher

Presidente havia dito que mulheres têm 'grande participação' na economia porque ninguém é mais capaz do que elas para 'indicar os desajustes de preço no supermercado'

Daiene Cardoso, O Estado de S. Paulo

08 de março de 2017 | 19h48

BRASÍLIA - Durante sessão plenária da Câmara dos Deputados destinada a apreciar projetos que beneficiam a população feminina no Dia Internacional da Mulher, parlamentares debateram a declaração do presidente Michel Temer sobre o papel da mulher na sociedade.

Em discurso mais cedo no Palácio do Planalto, Temer afirmou que as mulheres têm uma "grande participação" na economia porque ninguém é mais capaz do que elas para "indicar os desajustes de preço no supermercado e ninguém é melhor para detectar as eventuais flutuações econômicas, pelo orçamento doméstico maior ou menor".

A oposição atacou a declaração e a deputada Soraya Santos (PMDB-RJ) disse que o discurso propagado estava fora de contexto. Segundo a peemedebista, Temer quis dizer que em uma crise econômica as mulheres são as primeiras a perceber os efeitos da inflação. "Eu sou também dona de casa e tenho muito orgulho de dizer que ele está certo. Porque as donas de casa são as primeiras que sentem quando aumenta o preço da batata", afirmou Soraya.

Ex-presidente da Câmara, o deputado Marco Maia (PT-RS), condenou a fala de Temer ao atribuir à mulher brasileira "um papel reduzido na sociedade". "Não há nenhuma justificativa para dizer que a mulher tem como sua principal responsabilidade cuidar da economia doméstica e ao mesmo tempo dar educação exclusiva dos filhos, o que também é tarefa e responsabilidade dos homens. É disso que estamos tratando aqui", rebateu.

A discussão aconteceu durante a votação do projeto de lei que acrescenta emenda ao Estatuto da Criança e do Adolescente garantindo o direito a acompanhamento e orientação à mãe em relação a amamentação. Pelo texto aprovado nesta noite, as unidades de saúde que acompanham as gestantes e realizam os partos deverão prover a orientação quanto à forma mais adequada de amamentação. O projeto vai ao Senado. 

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