Deputados divergem nos EUA sobre dados de acidente da TAM

Os dois deputados federais que acompanham em Washington as investigações sobre o acidente da TAM divergiram nesta segunda-feira sobre informações preliminares de técnicos da aeronáutica a respeito das possíveis causas da tragédia. Na terça-feira passada, um avião A320 da TAM, que fazia o vôo 3054, explodiu ao se chocar contra prédios vizinhos ao aeroporto de Congonhas, em São Paulo, após tentar pousar. Os deputados Marco Maia (PT-RS), relator da CPI da Crise Aérea, e o deputado Efraim Filho (DEM-PB) se reuniram com os técnicos da aeronáutica por cinco horas no domingo, quando discutiram algumas das hipóteses que teriam provocado o acidente da última semana. A partir da reunião, o deputado Efraim Filho, da oposição, deu declarações à imprensa brasileira dizendo que o piloto da aeronave A320 da TAM não teria tentado arremeter o avião, citando informações da caixa preta. "Por informações preliminares, os pilotos não tinham velocidade suficiente para arremeter", disse ele a jornalistas em Washington. Mas Maia esclareceu que, segundo os técnicos, essa é apenas uma hipótese levantada após o pior acidente aéreo da história do país, que deixou cerca de 200 mortos. "Os técnicos já tinham essa hipótese, devido à trajetória balística da aeronave", afirmou Maia. "Essa não é uma informação da caixa preta", acrescentou, dizendo que discordava do deputado do DEM. A caixa preta com a gravação de voz dos pilotos chegou a Washington nesta segunda-feira, segundo a assessoria do National Transportation Safety Board (NTSB), três dias depois da caixa de dados, que já começou a ser analisada. Os deputados brasileiros não tiveram acesso às reuniões do NTSB, mas disseram que conseguiram autorização para fazê-lo a partir de terça-feira. É possível que alguns resultados preliminares saiam já na quarta-feira, afirmaram. Entre as possibilidades sendo analisadas, disseram, estão a de que a pista do aeroporto de Congonhas não oferecia condições adequadas. "A pista é um fator contributivo", disse Efraim Filho. Os técnicos também estão tentando determinar se as ações do piloto do A320 estavam em consonância com os comandos no computador de bordo da aeronave. A falta dessa consonância entre piloto e computador, segundo Maia, foi a causa de um outro acidente com um Airbus em Le Bourget, na França, em 1988. Os deputados informaram ainda que os técnicos estão trabalhando com 580 parâmetros e que de 35 a 40 foram escolhidos para fazer a análise para tentar encontrar as causas do acidente.

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