Deputados e senadores do PMDB brigam por liderança

A presidente Dilma Rousseff deverá manter nas mãos da bancada do PMDB da Câmara a liderança do governo no Congresso. Um dos cotados para o cargo é o deputado Marcelo Castro (PI), que ontem mesmo já começou a ser bombardeado por alas contrárias à indicação.

Eugênia Lopes / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

19 Agosto 2011 | 00h00

Apesar de Dilma estar disposta a escolher um deputado da legenda para a vaga, o PMDB do Senado ainda alimenta esperanças de vir a ocupar a liderança.

A reivindicação para que o cargo de líder do governo no Congresso seja ocupado por um deputado do PMDB foi levada à Dilma anteontem pelo vice-presidente, Michel Temer. Mal ficou acertada a ida de Mendes Ribeiro (PMDB-RS) para a Agricultura, Temer fez um apelo para que a liderança continuasse com o PMDB da Câmara. Dilma teria se comprometido a apoiar a ideia.

"Seria um gesto importante que o líder fosse da Câmara. Mas isso é uma decisão da presidente", disse o líder do partido, deputado Henrique Eduardo Alves (RN). "Existe uma expectativa da bancada de permanência da liderança do governo no Congresso com a Câmara. Mas quem vai decidir isso é a presidente Dilma", observou o futuro ministro Mendes Ribeiro.

"A Dilma avisou que vai ser da Câmara", afirmou o presidente nacional do PMDB, Valdir Raupp (RO).

Apontado como favorito, o nome de Marcelo Castro começou, no entanto, a ser bombardeado por parte da bancada. Em conversas reservadas, peemedebistas fazem questão de lembrar que, recentemente, a família de Castro apareceu envolvida em denúncias no Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), do Piauí. O superintendente do departamento no Estado, Sebastião Ribeiro, foi indicado por Castro. A empreiteira do irmão do deputado recebeu, em 2010, R$ 36 milhões, metade do que foi liberado para o Piauí.

No Senado, o líder do partido, Renan Calheiros (AL), gostaria de ver na liderança o senador Eduardo Braga (AM). Desde o início do governo Dilma, Braga vem sendo cotado para ocupar um lugar de destaque. Seu nome foi lembrado para o Ministério da Previdência e, antes da escolha de Mendes Ribeiro para a liderança do governo no Congresso, Braga foi cogitado para o cargo. Integrante do chamado G-8, grupo de senadores independentes do PMDB, a eventual escolha de Braga serviria para acalmar dissidentes. O senador José Pimentel (PT-CE) também voltou a se entusiasmar com a possibilidade de vir a ocupar a liderança.

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