Deputados pedem CPI sobre elo de políticos e milícias no RJ

Os deputados estaduais Marcelo Freixo (PSOL) e Alessandro Molon (PT) querem que a Assembléia Legislativa do Rio (Alerj) apure possíveis ligações entre políticos e milícias. Há informações de que a expansão das milícias conta com o apoio de políticos, especialmente ex-policiais, que se beneficiam eleitoralmente do domínio de grupos paramilitares nas comunidades. Autor de um pedido de instalação de Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) sobre o tema, Freixo admitiu, momentos antes de uma reunião com o comandante Geral da PM, coronel Ubiratan Ângelo, que será praticamente impossível concretizá-la. Ele pretende atuar em parceria com Molon, presidente da Comissão de Direitos Humanos da Alerj, para convocar audiências públicas e reunir dados, como alternativa ao trabalho da comissão. Policiais, ex-policiais, bombeiros e políticos identificados com corporações de segurança aparecem entre os mais votados em boa parte das favelas cariocas dominadas pelos grupos clandestinos que expulsam traficantes para cobrar da população pela suposta proteção. "Existem muitas denúncias de braços políticos que as milícias possuem. O mapa eleitoral pode mostrar onde as milícias são fortes e onde determinados candidatos foram bem votados. Isso precisa ser investigado. Uma pessoa pode ser bem votada numa área de milícia e não necessariamente ter vínculos com ela, mas isso pode ser indício de que há algum apoio", afirmou o deputado Marcelo Freixo. Ex-militante da ONG Justiça Global, Freixo reconhece que a ação das milícias é aprovada por parte dos moradores, o que explicaria os votos em políticos ligados a elas ou simpatizantes. "Provavelmente há uma certa aprovação. Há um apelo moral muito grande contra as drogas. As favelas não estão habituadas com a presença do Estado garantido a lei. No olhar de quem vive na favela, pode até ser um mal menor. O poder público é que não pode entrar nessa lógica". CPI sobre milícias Na semana passada, Freixo recolheu assinaturas para a abertura de uma CPI sobre milícias, mas não conseguiu instalá-la porque dezenas de pedidos foram feitos na frente. Pelo regimento da Alerj, apenas sete comissões podem funcionar simultaneamente. Por isso, Freixo associou-se a Molon para que o assunto seja tratado pela Comissão de Direitos Humanos. Os dois se encontraram na semana passada com o secretário de Segurança do Rio, José Mariano Beltrame. Os deputados também querem saber se batalhões da Polícia Militar e delegacias de polícia dão suporte ou fecham os olhos para a atuação das milícias em algumas regiões da cidade. Por aí também passa a política. Há indícios de que políticos indicaram dirigentes das unidades policiais em regiões como a zona oeste com este objetivo. "Há muitas denúncias de que essas milícias são formadas por agentes de segurança pública que têm contado com o aparato do Estado. Nesse sentido, é preciso uma investigação. É o caso de saber que instrumentos de Estado estão sendo utilizados pelas milícias. Se há vínculo eleitoral ou uso de estrutura, como a utilização de blindados da PM, como já foi denunciado", disse Freixo.

Agencia Estado,

12 Fevereiro 2007 | 22h37

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