Desabamento de edifício em MG deixa quatro mortos

Três vítimas foram identificadas; tragédia pode ser a primeira ocasionada pelas chuvas no Estado

Eduardo Kattah, de O Estado de S. Paulo,

07 de setembro de 2009 | 15h29

Quatro pessoas morreram após o desabamento de parte de um prédio de três andares, onde funcionava uma pensão, em Caratinga, na região do Vale do Rio Doce mineiro, a 295 quilômetros de Belo Horizonte. De acordo com o Corpo de Bombeiros, o desabamento ocorreu no final da noite do sábado durante um temporal que atingiu a cidade. O imóvel, localizado às margens do rio Caratinga, na região central do município, já havia sido interditado em 2004, mas foi liberado no último dia 02 por meio de um alvará de funcionamento concedido pela prefeitura.

 

A parte de trás da construção desabou por volta de 23h. Moradores vizinhos disseram que ouviram um forte estrondo. Dois casais que dormiam nos quartos 4 e 5 morreram soterradas. Os corpos foram localizados horas depois. A Pensão Ribeiro funcionava no segundo e no terceiro andar do prédio. Quatro hóspedes que estavam no terceiro andar tiveram de ser resgatados pela janela. Outras duas pessoas sofreram diversos ferimentos e precisaram ser hospitalizadas.

 

Até a tarde desta segunda-feira, 7, haviam sido identificadas três corpos: Geraldo Silvério do Nascimento, de 54 anos; Roselene Maria de Oliveira, de 26, e Eugênia Cornélia Valente, de 53 anos. O corpo de um homem não havia sido identificado.

 

A construção que desabou tinha cerca de 70 anos e foi interditada em janeiro de 2004 após uma enchente. Um laudo indicou trincas, rachaduras nas lajes, vigas, paredes e escadas.

 

Três dias antes da tragédia, a prefeitura local emitiu alvará de localização e funcionamento para o proprietário do imóvel, identificado como Paulo Genelhu. A alegação do Executivo municipal é que somente a parte da frente do prédio - que não foi afetada - havia sido liberada. O proprietário afirmou que a estrutura que desabou era uma construção recente. O coordenador da Defesa Civil, Paulo Calegar, disse que desconhecia a autorização de funcionamento do imóvel. A área do prédio foi isolada.

 

Cópias dos documentos de liberação do imóvel foram entregues para a Polícia Civil, que irá instaurar inquérito para apurar as causas do desabamento. O Estado não conseguiu contato com algum representante da Prefeitura e nem com o proprietário do prédio.

 

O desabamento pode ser considerado a primeira tragédia causada pelas chuvas em Minas Gerais no período 2009-2010, mas até a tarde da segunda-feira a Coordenadoria Estadual de Defesa Civil (Cedec) não havia registrado a ocorrência. No período entre setembro de 2008 e abril de 2009, 44 pessoas morreram no Estado em decorrência das chuvas e 274 municípios foram afetados.

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