Desabamento de prédio pode não ter vítimas fatais

A Defesa Civil do Estado do Rio considera muito remota a possibilidade de haver vítimas soterradas nos escombros do desabamento do Hotel Linda do Rosário, de cinco andares, no centro da cidade, ocorrido na tarde de quarta-feira. Mas alerta que se alguém estiver no local, provavelmente está morto, porque os entulhos são muito compactos, sem circulação de ar. Para o sargento da Polícia Militar Antônio Sérgio Couto, que comandou a operação de evacuação do edifício - após ser avisado de "estalos" na estrutura do prédio por um policial reformado -, não havia mais ninguém do lado de dentro na hora em que a estrutura ruiu.Um relato do porteiro Raimundo Melo após o acidente levou as autoridades a considerar o possível desaparecimento de um casal, hospedado no hotel. Melo disse ter interfonado e batido na porta do quarto, mas não ouviu resposta. Até o fim da tarde de hoje, entretanto, nenhuma família de possíveis vítimas havia contatado as equipes de socorro nem nenhum outro órgão municipal ou estadual à procura de desaparecidos."Aparentemente ninguém mais estava lá dentro, porque deu bastante tempo para sair. Desde o primeiro estalo, o prédio já tinha começado a ser esvaziado, e a área, completamente isolada, com a ajuda da população. Achei que fosse tombar em cima do prédio que fica em frente, mas acabou caindo como se tivesse sido implodido", contou. O Relações-Públicas da Defesa Civil, coronel Jorge Lopes, o hotel deu muitos sinais - ruídos, rachaduras, queda de reboco - de que cairia. "O prédio ?por pelo menos dez minutos que ia tombar. Quem não saiu é porque não quis ou papai do céu não quis. Mas, felizmente, achamos que não esteja ninguém sob os escombros."As buscas foram interrompidas às 21h30 de quarta-feira, depois de o anexo do hotel se mover seis milímetros e pôr em risco as equipes que trabalhavam no local, mas voltam amanhã. Com a oscilação de mais dois milímetros na manhã de hoje, durante todo o dia, a única atividade foi a instalação de escoramentos externos e internos na estrutura, que está "completamente comprometida", segundo Lopes. Os escombros estão servindo como suporte para o prédio e, por isso, não podem ser removidos. O anexo, que tem grandes rachaduras de 45º nas paredes e um dos pilares inutilizado, terá de ser demolido. A área, que abrange dois quarteirões em região central da cidade, continua isolada.InquéritoO delegado da Polícia Civil, Ricardo Marchesini, instaurou hoje inquérito para apurar as causas do desabamento. O prédio já havia sido notificado pela prefeitura pela má-conservação da fachada. O proprietário do imóvel ainda não foi identificado. A perícia do local será realizada apenas ao fim da remoção dos escombros. "Ninguém sabe nada. Por enquanto, só há especulação. Mas se não houver vítimas soterradas, vamos apurar um simples desmoronamento por negligência", afirmou o delegado. O proprietário do imóvel ainda não foi identificado. Apenas três pessoas que passavam no local na hora do acidente sofreram escoriações leves. Foram medicadas no Hospital Souza Aguiar e passam bem. Um deles, Sérgio Silva, 42 anos, prometeu pedir indenização "aos responsáveis", apesar de não ter marcas de ferimentos visíveis.De acordo com o coordenador da Defesa Civil Municipal, coronel bombeiro João Carlos Mariano, a principal suspeita é que uma obra, iniciada na véspera e que retirava um mezanino no primeiro andar, possa ter provocado o desabamento. Ele acredita que não houvesse nenhum engenheiro ou arquiteto responsável. "Uma laje servia como sustentação das paredes, que são de tijolo, sem vigas. Os outros pisos são de madeira e, quando se retirou a laje, as paredes ficaram sem apoio", explicou.A governadora do Rio, Benedita da Silva (PT) visitou o local do desabamento no início da tarde de hoje, conversou com autoridades da Defesa Civil e consolou o comerciante Carlos Augusto Marinho, dono do restaurante no térreo do anexo do hotel, que perderá o negócio com a iminente demolição do imóvel, e chorava muito: "Perdi tudo", disse. Para ela, "houve negligência". "Estamos apurando, com serenidade, de quem foi a culpa, para poder responsabilizá-los."Veja galeria de fotos e mapa do local

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