Desabamento do edifício Palace 2 completa nove anos

Um bolo de nove metros de comprimento lembrou nesta quinta-feira, 22, o nono aniversário do desabamento do edifício Palace 2, que provocou a morte de oito pessoas em 22 de fevereiro de 1998. Os ex-moradores fizeram protesto na porta do Fórum para se queixar da lentidão da Justiça. Segundo a Associação de Vítimas do Palace 2, das 120 famílias, 82 receberam entre 15 e 20% do valor a que têm direito, num montante que hoje chega a R$ 60 milhões, com as correções. E há R$ 15 milhões bloqueados pela Justiça. "Acho que em alguns anos vamos dar a volta no Fórum, sem que a Justiça tenha resolvido essa questão", reclama Bárbara Leão Martins, que perdeu a filha Luiza, de 12 anos, no desabamento do Palace. A menina passava o carnaval com o pai, a madrasta e o irmão de 1 ano. Todos morreram. Bárbara teme a possibilidade de Sérgio Naya, dono da construtora que ergueu o Palace 2, ficar impune. Ele havia sido condenado a dois anos e oito meses de prisão pelas mortes, mas foi absolvido em segunda instância. O Ministério Público e as vítimas recorreram ao Superior Tribunal de Justiça. "Desde 20 de outubro o processo está na mesa do ministro Félix Fischer", diz Bárbara, que acompanha diariamente a movimentação do processo. "Ao mesmo tempo em que espero a decisão, tenho muito medo de ele ser absolvido. Eu sei que ele não vai ficar preso, que pode cumprir em liberdade. Mas a absolvição quebra tudo, quebra a fé". A presidente da associação, Rauliete Barbosa Guedes, diz que o protesto é para lembrar à Justiça que os ex-moradores não vão "desanimar". Ela disse que o dinheiro arrecadado com os imóveis têm sido liberado aos poucos. No mês passado, R$ 1 milhão foi rateado pelas vítimas. "Teve gente que recebeu apenas R$ 2 mil. Não dá para recomeçar nada com essa quantia". Rauliete também criticou o Banco do Brasil, que disputa com a associação os R$ 15 milhões arrecadados com a venda de um dos imóveis. "O banco nunca cobrou esse dinheiro e esperou as vítimas se mobilizarem, leiloarem o bem para só então se declarar credor", reclamou. As famílias do Palace 2 receberam solidariedade de outras vítimas da violência, como os pais da menina Gabriela Ribeiro Prado Maia, vítima de bala perdida num assalto ao metrô. "Viemos lutar contra a impunidade. O judiciário tem que se sensibilizar", defendeu Carlos Santiago.

Agencia Estado,

22 Fevereiro 2007 | 16h51

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