Desabamento no Morro do Baú fere soldado da Força Nacional

O estado dele é grave, com afundamento do tórax, fratura no fêmur e no maxilar

Eduardo Nunomura, enviado especial de O Estado de S. Paulo,

30 de novembro de 2008 | 20h48

Um novo desabamento no Morro do Baú feriu gravemente um soldado da Força Nacional, que trabalhava na remoção de moradores que insistiam em permanecer no local. O estado dele era grave, com afundamento do tórax, fratura no fêmur e no maxilar. Ele foi resgatado de helicóptero para um hospital de Itajaí, mas não corre risco de morte. Outros sete soldados, um deles com ferimentos medianos, foram levados para o posto avançado do Samu, em Luiz Alves.    Veja também: Saiba como ajudar as vítimas da chuva IML divulga lista de vítimas identificadas Repórteres relatam deslizamento em Ilhota  Mulher fala da perda de parentes em SC Tragédia em Santa Catarina  Blog: envie seu relato sobre as chuvas  Blog Ilha do sem Blumenau  Blog Desabrigados Itajaí  Blog Arca de Noé  Veja galeria de fotos dos estragos em SC   Tudo sobre as vítimas das chuvas     Houve um deslizamento de terra, que acabou soterrando um trator e um veículo, atingindo as equipes de resgate. Os soldados da Força Nacional tentavam retirar algumas pessoas, entre elas uma criança de 6 anos e um adolescente de 16. Ambas acabaram feridas e foram levadas para o hospital de Itajaí. Elas permaneciam na área de risco vermelha, que não garante a segurança das próprias equipes de resgate.   Segundo o tenente-coronel Miltom Kern, coordenador-geral das operações aéreas da Defesa Civil, a partir de agora, vão se restringir estritamente às retiradas de pessoas. "E só vamos retirar via área", afirmou. As equipes da Força Nacional chegaram ao local por uma estrada de terra. No fim de semana, choveu forte nas montanhas. Na madrugada, segundo informações dos bombeiros, houve um grande deslizamento no Braço Serafim, colado ao Baú, já no município de Luiz Alves.   A instabilidade do Morro do Baú e das montanhas ao lado dele está paralisando o trabalho de remoção dos corpos. Toda a área foi considerada, na sexta-feira, como de risco vermelho. Técnicos do Instituto de Pesquisas Tecnológica (IPT), de São Paulo, sobrevoaram o Morro do Baú para analisar os pontos que permanecerão nessa categoria e aqueles que serão liberados para o trabalho de resgate de corpos. Ontem, ocorreram bem menos operações aéreas e terrestres do que as que vinham sendo realizadas na semana passada.   "A situação está instável, sem condições de trabalho", adiantou o capitão Romeu Rodrigues da Cruz Neto, da Força Nacional. Mesmo assim, a corporação montou ontem dois postos de controle nas áreas de risco vermelho no Baú, onde ficarão acampados 12 homens. "O quadro está piorando, porque chove, desaba, chove, desaba. Há muitas fendas abertas e represamentos, o que tornam o terreno perigoso."   Correndo o risco de dormir numa área instável, os homens da Força Nacional terão a missão de evitar que os imóveis sejam reocupados ou visitados, o que ainda tem ocorrido com freqüência. "Estamos tirando e tendo de trazê-los de volta. Esses moradores, acabam, inconscientemente, adiando o resgate dos corpos." Os socorristas também estarão próximos de dois abrigos em funcionamento lá no alto, com cerca de 50 pessoas cada. No caso de uma evacuação de emergência, eles serão o ponto de apoio para a operação.   Os deslizamentos têm ocorrido em várias localidades do Vale do Itajaí. Só com sete dias ininterruptos de sol o terreno ganharia alguma solidez e as pessoas poderiam voltar às suas casas. Antes disso, o risco de desabar persiste e, no caso de Santa Catarina, é enorme. Em Ilhota, o bairro de Ilhotinha enfrentou novos desabamentos e casas tiveram de ser esvaziadas. Os técnicos do IPT deveriam emitir um boletim ainda ontem, mas a reunião analisando o estudo e as novas orientações para os trabalhos de resgate de corpos e desabrigados só ocorrerá na segunda-feira, 1.

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