Desafeto de Lula, Perillo sai fortalecido da eleição

Apesar da oposição ferrenha do presidente, tucano conquistou, além do governo de Goiás, maioria na Assembleia

Carol Pires / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

03 Novembro 2010 | 00h00

Apontado como um dos desafetos políticos que o presidente Lula queria derrotar nas urnas, o senador Marconi Perillo (PSDB) foi eleito para um terceiro mandato como governador de Goiás, depois de enfrentar a força política dos principais prefeitos da região e do governador Alcides Rodrigues (PP), seu ex-vice com quem é rompido desde 2006.

Com o recall da eleição para senador, quando recebeu 75,82% dos votos válidos, Perillo largou como favorito na disputa contra o ex-governador Iris Rezende (PMDB). "Mas foi quando o Lula entrou na campanha que ficamos realmente preocupados", admite a senadora reeleita Lúcia Vânia (PSDB).

Em 2002, Perillo tornou público que havia avisado Lula da existência do mensalão. Desde estão, está na lista de inimizades do presidente, a mesma que incluía Tasso Jereissati (PSDB-CE), Arthur Virgílio (PSDB-AM) e Mão Santa (PMDB-PI) - derrotados na eleição para o Senado.

Em comícios por Goiânia e Valparaíso, Lula acusou Perillo de não ter "caráter", e de "sumir" com R$ 1 bilhão da Companhia Energética de Goiás (Celg).

Na TV, Perillo exibiu imagens do lançamento do Bolsa-Família, em 2003, quando Lula lhe agradeceu pela ideia de unificar programas de transferência de renda. Também adaptou para Goiás a repetida frase do senador eleito Aécio Neves (PSDB) de que "quem decide o futuro de Minas são os mineiros".

Com 47 anos, cinco eleições vitoriosas e três processos no Supremo Tribunal Federal - com acusações de corrupção passiva, prevaricação, tráfico de influência, corrupção ativa e abuso de autoridade -, Perillo garantiu, além do governo, maioria de deputados estaduais, federais e tem o apoio dos três senadores do Estado. Agora, integra a lista, encabeçada por Aécio, dos poucos tucanos que conseguiram sair da eleição maiores do que entraram.

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