Desafetos do PT viram munição para PSDB

Comando da campanha tucana pretende usar declarações polêmicas de Dirceu [br]no horário eleitoral

Julia Duailibi, O Estado de S.Paulo

16 de setembro de 2010 | 00h00

O ex-ministro José Dirceu e outros desafetos do governo petista transformaram-se em munição para a campanha oposicionista, faltando 17 dias para a eleição presidencial. O comando tucano pretende usar declarações polêmicas feitas recentemente pelo petista nos programas que irão ao ar nos próximos dias.

A campanha também tem gravação da ex-diretora da Anac Denise Abreu criticando a Casa Civil na gestão Dilma Rousseff que pode ser divulgada via internet - tucanos ainda não sabem quando. Em 2008, Denise entrou em conflito com a petista e a sua então auxiliar direta, Erenice Guerra, no episódio envolvendo a venda da Varig ao fundo americano Matlin Patterson.

No caso de Dirceu, os grupos de eleitores monitorados pelos tucanos mostram que a maior parte da população, quando provocada, digere mal a relação do petista com a candidata governista Dilma Rousseff (PT).

A campanha pretende usar, no programa de José Serra na TV, manchete do jornal O Globo da quarta-feira, que reproduzia declarações de Dirceu em encontro com petroleiros na Bahia. Na ocasião, ele disse que a eleição de Dilma será mais importante para o PT que a do presidente Lula e afirmou que ela representa o "projeto petista".

A estratégia de explorar mais a relação entre Dirceu e Dilma começou na terça-feira, quando o programa tucano usou imagens de 2005, da transmissão do cargo de ministro da Casa Civil. Ao passar o posto para Dilma, Dirceu a chamou de "camarada de armas". A campanha do PSDB já tinha usado no rádio jingles relacionando Dirceu à adversária.

Repercussão. O efeito eleitoral da estratégia é, no entanto, incerto. O uso na TV do episódio da quebra de sigilo fiscal de familiares de Serra não teve repercussão eleitoral. A resposta levada ao ar por Lula foi eficiente para estancar recuperação detectada pela campanha nos monitoramentos por telefone antes de 7 de setembro.

Embora o comando tucano diga que não explorará o passado guerrilheiro de Dilma, a expressão "camarada de armas" usada anteontem foi a primeira a fazer referência à participação dela na luta armada. Para os tucanos, a frase serviu mais para mostrar a relação dela com o petista do que ilustrar o passado de Dilma.

Os advogados do PSDB decidiram que entrarão com ação contra a ministra da Casa Civil, Erenice Guerra, por ter usado material de serviço "para fins de campanha eleitoral". Acusam a ministra de ter usado a estrutura da Presidência para divulgar nota em que fazia menção à disputa eleitoral e atacava Serra.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.