Desagravo a Dirceu não vai além de ''homenagem''

Cúpula petista desiste de um ato específico em defesa do ex-ministro e seu nome não está em nenhuma das moções

Vera Rosa e Wilson Tosta, O Estado de S.Paulo

05 Setembro 2011 | 00h00

BRASÍLIA

O PT recuou da intenção de promover um ato formal de desagravo ao ex-ministro da Casa Civil, José Dirceu, no encerramento de seu 4.º Congresso. A solidariedade a Dirceu - alvo de reportagem da revista Veja, que o acusou de conspirar contra o governo - foi manifestada na abertura do encontro petista pela presidente Dilma Rousseff e pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

"Houve uma grande saudação e homenagem a Dirceu. Entendemos que as manifestações ocorridas naquele primeiro dia foram mais do que uma moção", disse o presidente do PT, Rui Falcão.

Na sexta-feira, o presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Arthur Henrique, pediu uma "moção de repúdio" ao que chamou de "crime" cometido por Veja contra Dirceu e "contra a livre imprensa neste País". O congresso petista aprovou ontem um pacote de sete moções - do apoio à regulamentação dos meios de comunicação ao aval à greve de professores. Nenhuma delas, porém, fazia referência a Dirceu.

Réu no processo do mensalão, que será julgado em 2012, Dirceu participou de todos os debates do encontro do PT, conversou com os companheiros de partido, posou para fotos, deu autógrafos, mas não parou para entrevistas. A avaliação foi a de que, se falasse, todos os holofotes do congresso seriam para ele.

Foi também com base nessa constatação - endossada por Lula e Dilma - que a cúpula do PT decidiu não mais promover manifestação de apoio a Dirceu. Na penúltima edição de Veja, o ex-ministro - que presidiu o PT durante oito anos - foi acusado de montar um "gabinete paralelo" e conspirar para derrubar o então ministro da Casa Civil Antonio Palocci.

A publicação exibiu imagens de um circuito interno do hotel onde Dirceu estava para mostrar que, nos dias que antecederam a queda de Palocci - e logo após a degola -, ele se encontrou com deputados, senadores e até com um ministro (Fernando Pimentel, do Desenvolvimento). Dirceu acusou Veja de ter tentando invadir o seu apartamento e registrou B. O. A revista nega que tenha agido fora dos limites da ética jornalística.

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