Desaparece editor de imagem da TV Globo

A polícia está investigando o desaparecimento de Carlos Alberto de Carvalho, editor de imagem do programa Esporte Espetacular, da TV Globo, que sumiu no último dia 15 depois de deixar a emissora. De acordo com a família de Carvalho, ele foi seqüestrado em outubro do ano passado por bandidos da Favela da Rocinha, que queriam saber quem havia feito a série de reportagens "Feirão das Drogas". A matéria foi produzida pelo repórter Tim Lopes, executado em junho por traficantes.O editor foi visto pela última vez às 21h do dia 15, segundo sua irmã, Sylvia Helena Arcuri. Ela contou que foram feitos saques no valor de R$ 500 na conta dele desde então, mas não houve pedido de resgate. Muito abalada com a falta de notícias, a família tem medo de que ele tenha tido o mesmo fim de Tim Lopes. "Quero botar a boca no mundo, fazer alarde, para ter notícias. Alguém pode ter visto ele na rua", disse Sylvia, que mora em Minas Gerais e está no Rio por causa do sumiço do irmão.O delegado Carlos Alberto Nunes Pinto, da 15ª Delegacia Policial (Gávea), onde o caso foi registrado, não acredita que o sumiço de Carvalho tenha a ver com o suposto seqüestro do ano passado. Na ocasião, ele prestou queixa na delegacia dizendo ter sido levado por bandidos da Rocinha que o abordaram na saída da TV Globo, no dia 20 de outubro. Os criminosos teriam lhe perguntado quem fizera a matéria sobre a feira de drogas, mas ele teria sido liberado por não conhecer os autores da matéria (Tim Lopes e Carvalho trabalhavam em diferentes setores da TV Globo). Ele contou que fora mantido na favela por dois dias e, em seguida, libertado sem sofrer qualquer agressão física. A reportagem - exibida em agosto do ano passado e vencedora do Prêmio Esso de Jornalismo de 2001 - mostra traficantes vendendo drogas livremente nas ruas da Rocinha.O delegado estranha o fato de Carvalho não ter mais comparecido para prestar depoimento. "Isso é muito estranho. Ele fez o registro e depois desapareceu. Não vejo relação entre os dois fatos", disse Pinto. Ele aguarda informações da família para investigar o desaparecimento. "Preciso saber por onde e com quem ele anda, saber mais sobre sua rotina."A irmã de Carvalho disse que está recebendo apoio da TV Globo para descobrir pistas do paradeiro do jornalista. A família já percorreu hospitais públicos e até o Instituto Médico Legal (IML) em busca de informações, mas ele não foi encontrado. A emissora enviou nota à imprensa sobre o caso, dizendo que a hipótese mais provável é que Carvalho tenha sido vítima de um seqüestro-relâmpago. O texto diz que a Globo disponibilizou um segurança para acompanhá-lo por 24 horas depois do sumiço do ano passado e que o esquema só foi desmobilizado quando a polícia informou que ele não corria mais risco.Ainda segundo a nota, depois da morte de Lopes a empresa intensificou a segurança de seus repórteres. "Mesmo não sendo repórter, mesmo trabalhando apenas com a edição de imagens do departamento de esporte e mesmo não tendo tido qualquer participação na reportagem sobre a feira de drogas, Carlos Alberto foi chamado para uma conversa com a direção da Central Globo de Jornalismo. Na ocasião, ele disse que como não tinha de fato nenhuma participação em reportagens policiais, sentia-se seguro, optando por permanecer como estava", afirma a Globo.

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