Desastre em barragem isola litoral

A enxurrada causada pelo rompimento da Barragem de Algodões 1, em Cocal da Estação, no norte do Piauí, teve como efeito colateral o isolamento de toda a região litorânea do Estado. De acordo com o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transporte (Dnit), a água do Rio Piranji atingiu o Rio Parnaíba e inundou as cabeceiras. Uma ponte a 30 km da barragem chegou a ser arrastada pelas águas. Todas as passagens da BR-343 acabaram interrompidas. O acesso às cidades de Parnaíba, Luís Correia, Ilha Grande, Cajueiro da Praia e Bom Princípio só pode ser feito pelo Ceará, o que aumenta o trajeto em 200 km. Em Parnaíba, segundo maior cidade do Estado, mais de 100 mil pessoas foram prejudicadas.No início da noite de ontem, 48 horas após o rompimento da barragem em Cocal da Estação, mais uma vítima foi identificada. Maria Andreina Pereira, de 6 anos, foi retirada das margens do Piranji por policiais militares, em meio ao lamaçal em que se transformou a região. A garota é a sexta vítima confirmada pela Defesa Civil e a terceira criança morta. Outras três pessoas continuam desaparecidas.A garota estava com a prima Alessandra Pereira, de 16 anos, que continua desaparecida, quando a barragem cedeu. Pelo menos 500 famílias estão desabrigadas, alojadas em escolas. Cocal da Estação permanece sem energia elétrica e poucos locais, como a prefeitura e o hospital, contam com geradores. Um campo de pouso foi improvisado para dois helicópteros cedidos pelo Exército e pela Força Aérea.Entre Exército, Bombeiros, PM, Guarda Municipal e Defesa Civil Estadual, 148 homens participam das buscas. Comunidades como Anjico Branco, a 15 km de Cocal, estão há dois dias isoladas. Cerca de cem pessoas continuam por lá, sem alimentos e roupas. No total, a Defesa Civil estima que 950 pessoas aguardem socorro em locais de difícil acesso.

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