Desativação da Detenção não impedirá fugas, diz o governo

O governo paulista pode fazer a implosão da Casa de Detenção de São Paulo, no Complexo do Carandiru, em 21 de abril, aniversário do governador Mário Covas morto no início de março. Mas nem essa desativação parcial, nem novos investimentos no sistema carcerário vão garantir o fim das fugas em massa, prevê o governo. Hoje pela manhã fugiram 106 detentos da Penitenciária do Estado, no mesmo complexo. De acordo com o secretário de Administração Penitenciária do Estado Nagashi Furukawa, até o início da tarde seis haviam sido recapturados.De acordo com Furukawa, não há indício de que tenha havido ajuda interna na operação de fuga. O túnel, cavado de fora para dentro, desembocou em uma das oficinas de trabalho. De dentro do túnel, teriam saído entre dois ou três homens armados que renderam os funcionários e ajudaram na fuga dos detentos, afirmou o secretário. Furukawa disse ainda que a segurança interna e das muralhas será reforçada, como acontece na época de final de ano quando tradicionalmente aumenta o número de tentativas de fuga. Neste ano, foram descobertos mais de 30 túneis.Para o governador Geraldo Alckmin, é difícil explicar como um túnel, de fora para dentro, foi cavado do lado da Penitenciária sem que tenha sido descoberto. "O Complexo do Carandiru é uma cidade, com mais de 10 mil presos, por onde passam todas as redes de água, esgoto, fibra ótica, telefone. É um queijo suíço, todo furado. Por isso, a primeira razão para desativá-lo é a segurança", disse Alckmin. Melhorando o sistemaO governador voltou a afirmar que a partir de 1º de dezembro nenhum preso será enviado à Casa de Detenção e vai começar o processo de transferência. "Mas isso não quer dizer que não haverá mais fugas. Vai continuar porque o preso pensa em fugir 24 horas por dia, mas estamos melhorando o sistema de segurança", disse Alckmin. De acordo com Furukawa, o cronograma de transferência prevê que os primeiros 10% dos 7.400 presos sejam transferidos para as penitenciárias de Valparaiso e Pacaembu; na seqüência serão enviados, 30% a cada mês (em janeiro, fevereiro e março) para as demais nove penitenciárias. Onze novas penitenciárias estão em construção simultânea. A previsão é esvaziar a Detenção até 31 de março de 2002.ConvêniosO ministro da Justiça, Aloysio Nunes Ferreira, e o governador assinaram hoje convênios para a construção de seis novos Centros de Detenção Provisória (CDP) e dois aditamentos para dois CDPs já em obras. O valor total da parceria é R$ 44 milhões, sendo R$ 35,3 milhões do governo federal e R$ 9 milhões do governo estadual.Os novos CDPs, em fase final de licitação e previsão de início de obra até o final de dezembro, vão aumentar em 4.600 o número de vagas no sistema penitenciário. Serão construídos em Osasco (2 unidades), Mogi das Cruzes, São José do Rio Preto, São Bernardo do Campo e Suzano; os aditamentos são para as obras em Hortolândia e São Vicente. Estes dois últimos mais os CDPs de Taubaté e de Guarulhos (também 2 unidades) devem ser entregues entre dezembro deste ano e janeiro de 2002. A prioridade, segundo o governador de São Paulo, é a desativação de distritos policiais da Capital e região metropolitana. Cada unidade do CDP vai abrigar 768 presos.MaquiagemSobre a denúncia de que a Polícia Civil teria "maquiado" boletim de ocorrência para diminuir o índice de criminalidade e violência no Estado, o governador disse que o caso está sendo apurado. "A orientação do governo é uma só e absolutamente transparente: apresentar número bom e número ruim também", disse.Ele anunciou que será feito um convênio com a Fundação Getúlio Vargas para auditar todos os números e índices de criminalidade do Estado. Os relatórios, disse, serão abertos a todas as entidades interessadas.Gloria TreviO ministro Nunes Ferreira evitou falar sobre o caso da cantora mexicana Gloria Trevi, detida por 19 meses na carceragem da PF, em Brasília, e que está grávida de sete meses. "Há um inquérito em curso, sendo acompanhado pela OAB e pelo Ministério Público, e eu não vou falar sobre isso. Para mim é um dogma não falar sobre o inquérito enquanto ele estiver em andamento", disse o ministro.A tese inicial da PF, de que Gloria teria engravidado por meio de uma "inseminação artesanal" foi descartada.Greve na educaçãoSobre o encontro que terá hoje à noite, em Brasília, com o presidente do Superior Tribunal de Justiça (STJ) Paulo Costa Leite, o ministro disse apenas que será "protocolar", mas reafirmou que o governo federal vai continuar defendendo o não pagamento dos professores universitários grevistas."Acredito que não faz sentido o sujeito fazer greve e receber salário, mas essa questão tem que ser decidida em outro plano", disse o ministro.

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