Desativação do Carandiru superlota presídios no interior

A desativação da Casa de Detenção do Carandiru em São Paulo, concluída no domingo, acabou superlotando as penitenciárias do complexo Campinas-Hortolândia, que abriga hoje a maior concentração de presos do Estado.Dos 76 últimos detentos que deixaram o Carandiru, 42 foram transferidos para as penitenciárias do complexo, além de 13 para a cadeia de São Bernardo, em Campinas.Atualmente, as seis unidades do local abrigam 5.206 detentos, mas têm capacidade para 4.338. Os 868 presos além da capacidade seriam suficientes para lotar um novo presídio, nos moldes que o governo atual defende, com no máximo 900 detentos.O complexo Campinas-Hortolândia tem três penitenciárias, dois centros de detenção provisória (CDP) e uma cadeia em regime semi-aberto. Dos 42 transferidos para Campinas-Hortolândia domingo, 15 foram para a penitenciária 1 (P-1), 15 para a penitenciária 2 (P-2) e 12 para a penitenciária 3 (P-3).Outros 13 seguiram para a cadeia de São Bernardo, que não integra o complexo de Hortolândia, mas também está superlotada. Tem 528 vagas para 647 presos. Em duas das penitenciárias do complexo, há 70% mais detentos que a capacidade. A P-1 comporta 538 presos, mas está com 923. Na P-2, 1.017 detentos ocupam os lugares destinados a 804. Na P-3 são 856 para 500 vagas. No CDP-1, que comporta 768 presos, há 846. A situação é um pouco mais confortável na cadeia de regime semi-aberto Ataliba Nogueira, que pode abrigar 960 detentos e tem 962, e no CDP-2, com 768 vagas, das quais 602 estão ocupadas.A Secretaria Estadual de Administração Penitenciária, por meio da assessoria, negou a transferência de problema. Afirmou que o remanejamento de presos ainda não está concluído e que detentos serão transferidos do complexo Campinas-Hortolândia para outras cadeias do Estado. Mas não revelou quantos, quando e para onde. De acordo com a assessoria, essas informações dependem de um levantamento que está sendo feito em Hortolândia e que inclui remanejamento interno.A cadeia de São Bernardo abrigará os detentos menos perigosos e o CDP-1, que terá a denominação modificada, os integrantes de organizações criminosas. O bandidos perigosos serão submetidos a medidas restritivas, como redução de visitas e de tempo para banho de sol. A mudança foi definida em resolução do governo, publicada no Diário Oficial há quase um mês.Apesar dos ajustes, a secretaria reconhece que as penitenciárias abrigarão mais presos que o limite da capacidade. A assessoria informou que cada unidade terá "um pouco acima" da lotação. Mas afirmou que o complexo não ficará "inadministrável".O coordenador prisional regional, João Batista Pascoal, que responde pelo complexo Campinas-Hortolândia, não foi encontrado hoje pela reportagem.

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