Descalabro financeiro seguiu-se à tragédia

Duarte Eustáquio Gonçalves Junior, 37 anos, prefeito de Mariana

Roberta Jansen, Carla Araújo, O Estado de S.Paulo

05 Novembro 2017 | 03h00

MARIANA - Duarte Eustáquio Gonçalves Junior, 37 anos, prefeito de Mariana (PPS), promete entrar na Justiça com pedido de indenização por conta do descalabro que se instalou na cidade desde o rompimento da Barragem do Fundão e a destruição dos vilarejos de Bento Rodrigues e Paracatu de Baixo. O desemprego, que historicamente nunca ultrapassara os 6%, está em 23,5% por conta da inatividade da mineradora. A arrecadação caiu de R$ 27 milhões por mês para R$ 17, 5 milhões. As contas da Prefeitura simplesmente não fecham.

“O meu sentimento é que desde o dia do rompimento da barragem, vivemos uma tragédia continuada”, diz Duarte, que tinha acabado de assumir o cargo quando a tragédia ocorreu.  “Todo dia tem uma dificuldade diferente.”

Para o prefeito, a empresa falhou no caso do rompimento da barragem e os responsáveis devem responder por seus erros. “Não havia sirenes, ninguém foi avisado”, lembra. “Se tivesse acontecido à noite, teria exterminado a população.... Sou muito cristão e acho que houve interferência divina”

Mas, lembrou o prefeito, a Samarco não era integrada apenas pelas pessoas responsáveis pela tragédia.

“O pessoal da limpeza, técnicos, motoristas, engenheiros também trabalhavam lá e estão sofrendo (desempregados, por conta da inatividade da Samarco)”, diz.

Das 18 mil pessoas desempregadas hoje na cidade, 60% eram ligadas, direta ou indiretamente, à Samarco. Só de ICMS, a empresa pagava R$ 10 milhões por mês – dinheiro que deixou de entrar nos cofres públicos. O aumento do número de desempregados tem um impacto direto nos serviços gratuitos de educação, saúde e assistência social.

“Acho que houve um grande erro neste acordo firmado: pensaram até no reflorestamento de toda a calha do Rio Doce, o que está certo, claro, mas ninguém se preocupou com a vida das pessoas de Mariana”, afirma Duarte. “Estamos vivendo entre a Cruz e a espada: os responsáveis precisam ser punidos, mas sem o retorno da mineração, temos uma segunda tragédia.”

O prefeito conta que procurou conversar com a Samarco e seus maiores acionistas, Vale e BHP, para que elas o ajudassem a garantir os serviços essenciais à população. Mas sua ideia foi rechaçada.

“Diante disso, só me resta entrar com uma ação de indenização contra a Vale e a BHP”

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