Descoberto menino marcado a ferro e fogo em Goiânia

Criança de 9 anos foi marcada a ferro quente com iniciais HL, entre coxa e região glútea

Rubens Santos, de O Estado de S. Paulo,

02 Abril 2008 | 20h08

Como se fosse gado, o menino A., de 9 anos, foi marcado a ferro quente com as iniciais HL entre a coxa e a região glútea. A lesão permanente na criança ocorreu no interior da fazenda Acuri e os agressores foram João Taveira de Souza, de 55 anos, e Roman Justino Alves, de 32. A fazenda está situada em Aurilândia, distante cerca de 150 quilômetros de Goiânia (GO), e a queimadura foi descoberta por uma professora - no mês de junho do ano passado - da Escola Municipal Branca de Neve, onde o menino estuda.   "Ela (professora) me disse que ele queixava de dor", disse a dona-de-casa Tereza Maria da Cruz, mãe do menino. "Quando botou a mão no menino, viu que estava com febre; nós descobrimos a ferida um dia depois". O menino foi queimado pelos trabalhadores justamente quando os auxiliava a marcar o gado existente na fazenda.   Além de denunciar à policia o caso, um processo de indenização está tramitando no Fórum de Aurilândia contra os dois operários e o dono da fazenda, Luiz Silvestre. O valor da indenização é de R$ 140 mil para reparação dos danos morais e a lesão física. O caso de violência contra o menor, em Goiás, somente veio a público, há dois dias, devido à repercussão pela descoberta de tortura e cárcere privado da menor LRS, de 12 anos em Goiânia. Caso contrário, acredita a delegada Adriana Acorsi, da Delegacia de Proteção à Criança e Adolescente (DPCA), em Goiânia.   "Eu tenho mais de 500 casos de violência contra a criança sendo investigado", disse a delegada. "Aqui, todos dias são cinco ou seis denúncias, no ano passado foram mais de 600", afirmou para O Estado. O Ministério Público (MPE) recebe, diariamente, entre 10 e 15 denúncias de maus-tratos.   A Comissão de Direitos Humanos e Minorias (CDHM) da Câmara dos Deputados vai acompanhar os casos de A. e de LRS a partir de amanhã. Pela manhã, segundo informou a deputada federal Iris Araújo (PMDB-GO), a comissão estará na delegacia, no IML (Instituto de Medicina Legal) e À tarde no Cevam (Centro de Valorização da Mulher), que abriga crianças e mulheres vítimas da violência.   Já a menor Lucélia, que nesta quarta-feira, 2, passou por um exame de ressonância magnética. Amanhã, juntamente com sua mãe Joana D'Arc da Silva, de 40 anos, e seu suposto pai, o pedreiro Valdenir Pereira de Souza, de 40 anos, fazem exame de DNA no laboratório Bio-Genetics, no Setor Marista - o mesmo bairro onde foi torturada e viveu em cárcere privado.

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