Descobertos US$ 800 mil em esconderijo de quadrilha

Policiais de Americana descobriram o esconderijo de uma quadrilha, no Jardim Colina, bairro de classe média alta, em Americana, onde foi encontrada uma elevada quantia de dólares, armas e munição. A polícia não revelou o valor, mas a estimativa é de que houvesse pelo menos US$ 800 mil no local, em notas de US$ 100, US$ 50 e US$ 20. Também foram apreendidos um fuzil, uma pistola nove milímetros, um revólver 38, munição, quatro celulares e R$ 10 mil. Por motivos de segurança, o dinheiro foi encaminhado para uma agência bancária de São Paulo, onde será contado, informaram os policiais. O casal Mauro Braga e Sidnéia da Silva, ambos foragidos, foi preso em flagrante na casa, ontem. Três amigos e a empregada do casal foram detidos para depor. Segundo a polícia, a dupla pertence a uma quadrilha especializada em tráfico de entorpecentes. A polícia investiga a hipótese de o dinheiro ter sido obtido no repasse de entorpecentes para o Rio de Janeiro, mas não descartou que os dólares sejam provenientes do pagamento do resgate do empresário Roberto Benito Júnior, de Salto. Ele ficou em poder de seqüestradores por 119 dias, depois de ter sido levado, em outubro do ano passado. Há informações, não confirmadas pelos policiais, de que a família pagou US$ 1 milhão pela libertação de Benito Júnior, aproximadamente o valor encontrado na mansão em Americana. A polícia informou que na segunda-feira será confrontada a numeração dos dólares pagos pela família de Benito Júnior com a numeração das notas encontradas em Americana. O caso do empresário de Salto está sendo investigado pela Delegacia Seccional de Sorocaba, que confirmou a hipótese de haver ligação entra a quadrilha presa e o seqüestro do empresário. PCCDe acordo com a polícia de Sorocaba, o crime contra Benito Júnior foi todo planejado por membros do Primeiro Comado da Capital, organização criminosa que atua em presídios do Estado. Ainda conforme a polícia, foram elaborados retratos falados de dois supostos membros da quadrilha, a partir de informações obtidas com testemunhas. A polícia informou que os retratos falados serão divulgados, mas não revelou quando. Os policiais da Delegacia de Investigação de Entorpecentes (Dise) de Americana investigam o casal preso em Americana há pelo menos dois meses, quando eles compraram a mansão no bairro. O valor do negócio foi estimado em R$ 500 mil. Segundo os vizinhos, o casal quase não era visto durante o dia, mas sempre havia movimentação na casa à noite. A compra do imóvel ocorreu regularmente. A mansão tem quatro suítes e é cercada por uma grande área de lazer, com churrasqueira e piscina. Na garagem, estavam estacionados um Audi A-3, usado por Sidnéia, e uma Silverado, de Braga. Os carros também foram adquiridos regularmente e estavam com a documentação em ordem. A polícia acredita que tanto a casa como os automóveis foram comprados com dinheiro de crimes praticados pela quadrilha. A mansão tem um forte esquema de segurança, com circuito interno de tevê controlado por sensores eletrônicos, vigiando todos os cômodos. O casal foi acusado de formação de quadrilha. A polícia não informou para onde os suspeitos seriam encaminhados, mas revelou que eles não deveriam permanecer em Americana.

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