Desconhecidas as causas do incêndio no Juizado Especial

As causas que motivaram o incêndio na manhã desta terça-feira no 11º andar do prédio do Juizado Especial Federal, localizado na Avenida Paulista, ainda são oficialmente desconhecidas. Segundo a assessoria de imprensa da Justiça Federal, o relatório da perícia, realizada durante a tarde pela Polícia Federal, não tem previsão para ficar pronto. "Eles ficaram cerca de cinco horas realizando a perícia, das 13h às 18h. O resultado pode ser divulgado na quarta-feira, o que achamos muito difícil, ou pode levar semanas. Não sabemos. Eles (da Polícia Federal) não nos passaram qualquer tipo de informação", informou o departamento de imprensa da Justiça Federal.Segundo o Comando do Corpo de Bombeiros, as avaliações iniciais pela manhã sinalizavam que o incêndio tivesse sido ocasionado por um curto-circuito. Apenas móveis e computadores foram danificados. Não houve feridos. O 11º andar do edifício estava vazio e seria reformado para dar lugar a salas de audiência que seriam reservadas aos 28 novos juízes aprovados em concurso. Um funcionário da área de suporte de informática do prédio informou à imprensa que havia 40 computadores na sala, sendo que 28 já haviam sido instalados para os novos juízes. Os outros doze computadores estavam encaixotados. Ele informou ainda que os dados da Justiça ficam guardados em HD em uma sala-cofre do edifício.Início do incêndioO incêndio começou por volta de 8h15. Segundo o Coronel do Comando do Corpo de Bombeiros Metropolitano, João dos Santos de Souza, o primeiro chamado foi feito às 8h17 e a primeira viatura chegou ao local às 8h26. No total, 15 carros e 45 homens foram acionados para controlar o incêndio.As quatro faixas da Avenida Paulista, sentido Paraíso, entre as ruas Pamplona e Peixoto Gomide, foram interditadas pela Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) e pela Polícia Militar. "O principal foco do incêndio foi controlado em 15 minutos. O rescaldo levou cerca de duas horas para ser efetuado", informou Souza, pela manhã no local. Duas faixas da Avenida Paulista foram liberadas às 10h15. As demais foram liberadas logo depois às 11h. A interdição afetou o trânsito nos arredores, principalmente na Avenida Rebouças.Sem perda de documentosA juíza presidente do Juizado Especial Federal, Marisa Cucio, descartou, assim que chegou ao local, que documentos tivessem sido perdidos. Segundo ela, o sistema é todo computadorizado e não foi afetado. O prédio da Justiça ajuíza cerca de 80 processos por dia, sendo que 90% se referem a direito previdenciário, principalmente em relação a pedidos indeferidos pelo INSS. Cidadãos que iriam abrir processo ou receber indenizações e não tinham conhecimento do caso, chegavam ao local e se deparavam com o prédio interditado. Muitos ficaram revoltados por terem de voltar para casa sem solução do processo. A assessoria da Justiça Federal declarou que os processos não realizados serão remarcados "o mais breve possível".Não houve expediente no edifício da Avenida Paulista nesta terça-feira e o sistema não funcionou em praticamente todos os outros Juizados Especiais Federais do Estado de São Paulo. Do total de 20 Juizados, 18 foram afetados, já que o Centro de Processamento de Dados (CPD) se encontra no prédio da Avenida Paulista e teve de ser desligado. Os únicos que funcionaram normalmente foram os Juizados de Ribeirão Preto e Campinas, que possuem sistemas independentes. O expediente será retomado nesta quarta-feira, dia 10.SegurançaDe acordo com a juíza presidente, as normas de segurança do prédio estavam devidamente regularizadas. Entretanto, os poucos funcionários (cerca de 15) que estavam no edifício disseram que não ouviram o alarme anti-incêndio. O estagiário em Direito, Anderson Andrade, 19 anos, que estava no 12º andar no momento do início do incêndio, deu detalhes: "Não ouvi alarme. Estava trabalhando quando vi a fumaça saindo pelo duto. Desci correndo pelas escadas e encontrei alguns funcionários no meio do caminho".

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