Desconhecimento ainda limita potencial de voto da petista

Além de pesquisar a intenção de voto, o Ibope sempre inclui em seu questionário uma pergunta que pretende medir o potencial de voto dos candidatos. Essa pergunta é importante porque indica os limites de cada candidatura, dividindo o total do eleitorado em três grandes categorias no que se refere àquele presidenciável: os que votariam nele, os que o rejeitam e os que não o conhecem.

Análise: José Roberto Toledo, O Estado de S.Paulo

22 de abril de 2010 | 00h00

Líder nas intenções de voto, José Serra (PSDB) também tem o maior potencial de voto. Segundo o Ibope, 61% dos eleitores dizem que votariam ou ao menos poderiam votar no tucano para presidente. Dilma Rousseff (PT) vem a seguir: seu potencial de voto soma 52% do eleitorado.

Os pré-candidatos tucano e petista se equivalem em taxa de rejeição: 32% dizem que não votariam em Serra de jeito nenhum, e 34% dizem o mesmo sobre Dilma.

O que faz a diferença entre eles e dá a Serra um maior potencial de voto é que ele é mais conhecido do que a adversária. Ainda há 15% de eleitores, principalmente entre os mais pobres (20%), que dizem não conhecer Dilma o suficiente e não respondem nem que sim nem que não sobre a chance de votar na petista. É um porcentual três vezes maior do que o de Serra.

Em novembro do ano passado, havia mais eleitores dizendo que não votariam em Dilma do que aqueles que admitiam essa possibilidade. Isso porque muitos simplesmente não sabiam quem era ela e não diziam nem uma coisa nem outra.

Em fevereiro, após o esforço do presidente Lula para tornar sua candidata mais conhecida, a situação se inverteu, e o potencial de voto de Dilma cresceu, chegando a 49% do eleitorado. O problema da petista é que, desde então, ela não conseguiu expandir seu potencial de maneira consistente. O motivo é que o porcentual daqueles que não têm opinião formada a seu respeito continua igual a fevereiro: 15%.

Ao mesmo tempo, o potencial de voto de Serra oscilou sempre dentro da margem de erro da pesquisa. As chances do adversário não aumentaram, tampouco diminuíram. Mas continuam maiores do que as de Dilma.

É cedo para dizer se a dificuldade de Dilma para se tornar mais conhecida é um teto para sua intenção de voto. Pode ser apenas um reflexo do baixo interesse despertado pela sucessão neste momento: metade dos eleitores dizem ter pouco ou nenhum interesse pelo pleito.

Além disso, 60% dos eleitores ainda não sabem dizer espontaneamente o nome de um pré-candidato que esteja concorrendo à Presidência. São eles quem vão decidir a eleição.

É JORNALISTA ESPECIALIZADO EM REPORTAGENS COM USO DE ESTATÍSTICAS

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