Desembargador diz que foi pressionado a liberar bingos

O desembargador José Eduardo Carreira Alvim, integrante do Tribunal Regional Federal da 2ª Região disse a investigadores da Polícia Federal que recebeu "pedidos insistentes" de seu colega de corte, José Ricardo de Siqueira Regueira, para que concedesse decisões favoráveis a empresários ligados ao ramo de bingos. Os dois desembargadores foram presos durante a operação Huricane, da Polícia Federal, que apura suposto esquema de exploração de jogos ilegais, sob investigação em um inquérito que tramita no Supremo Tribunal Federal (STF). Segundo fontes da PF, o desembargador teria comentado, ainda, que poderia ter "se deixado enganar" pelo genro, Silvério Nery Cabral, também preso na operação, mas alegou inocência. Segundo afirmou a integrantes da Polícia Federal presentes, todos os seus despachos em causas ligadas ao setor de bingos foram a partir de seu "livre convencimento" e dentro da legalidade. De acordo com a PF, Carreira Alvim fez os comentários ainda no Rio de janeiro, logo após a sua prisão, na sexta-feira, mas não os consignou em seu depoimento. Segundo seu advogado, Luiz Guilherme Vieira, Carreira Alvim decidiu não dar declarações durante seu interrogatório porque ainda não havia tido ainda acesso aos autos do inquérito e desconhecia as os fatos apurados pela PF. Na segunda-feira, o STF permitiu que os advogados dos 25 presos na operação retirassem cópias dos autos. Luiz Guilherme Vieira afirmou desconhecer o relato obtido pelo Estado. O advogado, que também defende o genro do desembargador, afirma que nenhum dos dois jamais fez menção ao assunto. "Como desconheço isso, não posso comentar", declarou o advogado. Ele afirmou ainda que Carreira nunca cometeu qualquer ilegalidade e sempre julgou "com a sua consciência, dentro da lei e do direito". O advogado de Siqueira Regueira, Nélio Machado, também afirma desconhecer os fatos e declara que o desembargador "jamais fez qualquer pedido insistente ou não insistente" a qualquer colega de tribunal "que não fosse lícito". Por não ter tido acesso aos autos, o desembargador também preferiu não dar declarações em seu depoimento.

Agencia Estado,

17 Abril 2007 | 19h29

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