Desembargador primo de Collor é morto no Rio

O desembargador do Tribunal Regional do Trabalho do Rio (TRT-RJ), José Maria de Mello Porto foi assassinado nesta quinta-feira na Avenida Brasil, via expressa que liga o centro à zona oeste do Rio. Mello Porto seguia da sede do TRT para casa, na Barra da Tijuca. Ele estava de carona no Audi A3 do procurador federal aposentado identificado como Teixeira Neto. Os bandidos teriam levado uma arma que o magistrado carregava na hora do crime.Perto da Favela Parque Alegria, em Benfica, zona norte, o carro foi bloqueado por dois outros veículos que se posicionaram na frente e atrás do Audi. Segundo testemunhas, oito homens armados com fuzis, pistolas e revólveres participaram do crime.Eles usavam carros velhos. Três deles desceram, e anunciaram um assalto. Mello Porto e o procurador desceram do carro e correram. O desembargador foi baleado e morreu na hora.O procurador, que não quis se identificar, não foi ferido. À polícia, ele disse não acreditar na hipótese de atentado. ?Não acredito em execução. Era assalto mesmo. Descemos do carro, como eles mandaram e quero crer que eles estavam muito nervosos, para atirar em um homem de família?, disse o procurador na 17.ª Delegacia de Polícia (São Cristóvão).Personalidade polêmica Primo do ex-presidente Fernando Collor de Mello e do presidente do Tribunal Superior Eleitoral, Marco Aurélio de Mello, Mello Porto foi presidente do TRT-RJ entre 1992 e 1994. Em 1982 tentou ingressar na política como candidato a deputado pelo PTB do Rio. Polêmico, teve seu nome envolvido em diversos processos. As investigações da CPI do Judiciário no Rio se concentraram sobre ele, que foi chamado a depor. O relator da CPI, senador Paulo Souto, afirmou na época que Mello Porto teria sonegado patrimônio, praticado improbidades administrativas e atos de autopromoção, e chegou a pedir sua punição.Durante sua gestão no TRT-RJ, lançou uma campanha em outdoors que estampavam a frase: ?Mello Porto, respeito à lei?. A campanha foi retirada das ruas por ordem do então corregedor do Tribunal Superior do Trabalho (TST), Almir Pazzianoto. Mello Porto enfrentou também acusações de venda de sentenças e de cargos de juízes classistas. A campanha eleitoral irregular e os supostos atos de improbidade administrativa foram denunciados pelo promotor federal Daniel Sarmento.O promotor disse à CPI ter recebido ameaças de morte depois de fazer as denúncias. Sarmento queria que Mello Porto fosse punido com a perda do cargo de juiz. As ações foram julgadas improcedentes pela Justiça Federal.Em 2002, o Superior Tribunal de Justiça chegou a suspender uma decisão da Justiça Federal que impedia o Ministério Público de investigar o caso de fraudes em licitações. Elas teriam ocorrido na construção de prédios da Justiça em Niterói, município do Grande Rio, em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, e na reforma de um andar do TRT.Ao longo de seus 38 anos de carreira moveu processos contra vários jornalistas, veículos de comunicação e procuradores, obtendo vitória na maioria deles.

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