'Desenvolvimentismo' faz a força do ministro

A postura mais "desenvolvimentista" do ministro Guido Mantega é uma das razões que justificam o impulso da presidente eleita, Dilma Rousseff, de mantê-lo à frente da equipe econômica. Ao substituir Antonio Palocci no Ministério da Fazenda, Mantega foi mudando, paulatinamente, o perfil das ações adotadas por seu antecessor. O rigor fiscal que caracterizou os primeiros quatro anos do governo Lula deu lugar a preocupações maiores com o crescimento econômico, muitas vezes impulsionado por ações mais incisivas do Estado.

Análise: Renato Andrade, O Estado de S.Paulo

12 Novembro 2010 | 00h00

Dilma não pretende abrir mão do controle da inflação, mas não pretende sacrificar a expansão econômica brasileira para atender apelos "fiscalistas" por um maior aperto das contas públicas. Por tudo o que fez até agora à frente da Fazenda, Mantega deixou claro que compartilha dessa avaliação. A permanência do ministro fortalece ainda mais os sinais de que Henrique Meirelles deixará o comando do Banco Central a partir de janeiro. Dilma sabe que precisa de uma equipe afinada e deve evitar, a todo custo, a repetição do jogo de intrigas que por vezes marcou a relação entre os dois principais nomes da equipe econômica de Lula.

O comportamento de Mantega em relação à forte desvalorização do dólar americano também é outro fator que contribui para sua permanência. Antes mesmo de ser eleita, Dilma já havia elogiado as medidas adotadas por seu ex-colega de governo para evitar que o real se valorizasse ainda mais. O fator Lula também não pode ser esquecido. O presidente foi um bom cabo eleitoral para a permanência do ministro. A decisão acaba refletindo uma particularidade que somente Mantega conseguiu demonstrar até agora. É uma cara do governo passado, com um espírito afinado com a futura administração.

É JORNALISTA DE "O ESTADO DE S. PAULO"

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