Desfiando o rosário dos mitos do lulismo

Certo ou errado, José Serra fez a escolha: acha que o eleitor quer decidir o futuro e não vai aceitar uma comparação rasa com o passado, o tal "debate plebiscitário" desejado pelo presidente.

Análise: Rui Nogueira, O Estado de S.Paulo

11 de abril de 2010 | 00h00

Contra o desafio de Lula, que não vê quem possa vencê-lo fazendo mais do que ele fez em oito anos de governo e ainda esteja disposto a enfiar "o pé no barro", Serra decidiu que o governo do PT não é o limite. E desfiou o rosário dos mitos do lulismo.

Antes de chegar às metas de possíveis conquistas materiais, Serra decidiu martelar em favor do Estado de Direito, da democracia, contra a impunidade e por um "Brasil sem donos" - 48 horas antes, o presidente Lula havia pregado, no encontro com o PC do B, o confronto com o Judiciário.

Ainda no capítulo dos bens espirituais, mas palpáveis, Serra estraçalhou com uma frase os argumentos que racionalizam as ditaduras de esquerda. "Democracias não têm gente encarcerada ou condenada à forca por pensar diferente de quem está no governo", disse, oferecendo à sociedade brasileira um parâmetro objetivo para julgar o apoio de Lula a Cuba e ao Irã.

Outros mitos foram alinhavados. Para o mito do comércio externo com índices "nunca antes" conquistados, Serra recordou que o Mercosul assinou um único acordo de livre comércio; para o mito do "canteiro de obras" em que o País teria se transformado, o tucano lembrou que custa mais transportar uma tonelada de soja do MT a Paranaguá (PR) do que do porto de Paranaguá à China; para o mito do governo que só olha para o povo, Serra lembrou que o melhor a dar ao povo está por ser feito: educação de qualidade, saúde de qualidade e saneamento de qualidade,

E o País, disse ainda Serra, não sentirá falta de um presidente que sabe o que é o trabalho e o sacrifício dos pobres se eleger o tucano. Lembrou que é filho de um comerciante de frutas que fazia jornadas semanais de até 75 horas de trabalho.

O eleitor dirá se concorda com Serra, mas os mitos do lulismo foram virados do avesso.

É CHEFE DE REDAÇÃO DA SUCURSAL DE BRASÍLIA

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