Desfile da ´moda camelô´ atrai 2 mil pessoas no Brás

Cerca de 2 mil pessoas acompanharam, na manhã desta terça-feira, a 1ª Fashion Legal Brás - evento que transformou camelôs, que até bem pouco tempo fugiam do rapa, em estilistas de moda. A programação começou por volta das 7h30 e a primeira a pisar na passarela foi a ex-dançarina do Tchan, Sheila Mello. O público masculino foi ao delírio. O público do evento foi basicamente o do fim da "feirinha da madrugada", que acontece em um espaço de 70 mil m², na Rua Monsenhor de Andrade e costuma receber 20 mil pessoas por madrugada. Centenas de ônibus trazem clientes (na verdade, revendedores) ávidos por blusinhas, jeans e outras peças. No local, existem cerca de 4 mil boxes - todos comandados por camelôs legalizados pela Prefeitura.Muitos sacoleiros foram surpreendidos pela oportunidade de assistir um desfile das roupas produzidas pelos próprios ambulantes. "Eu vim aqui pra comprar. Se o desfile atrasar eu estou danada", reclamou Joannyra Teixeira, 59 anos.Blasé ensaiado não agradaA modelo pisou na passarela como se tivesse acabado de receber uma notícia ruim. Seu ar de desânimo era tão evidente que ela mais parecia uma condenada indo em direção à forca. Inconformado, um torcedor da Gaviões da Fiel esbravejou: "A mina tá com nojo da gente? Tem várias por aqui que são muito mais bonitas do que ela". Esse "blasé ensaiadinho" pode até funcionar lá na São Paulo Fashion Week, mas pegou muito mal no evento. "É a vez do look ‘pão com ovo’ virar coisa chique", brincou Ermelinda Lastro, que se autodefiniu como uma sacoleira de Hortolândia. Um pouco antes do desfiles, os ambulantes/estilistas mais festejados estavam ansiosos. Deusdétio de Novaes Souza, 43 anos, uma espécie de Alexandre Herchcovitch dos sacoleiros, e dono da marca Camuflado de Jesus, não conseguia parar quieto. "Eu era ambulante na 25 de Março. Tomava borrachada da polícia e tudo. Agora, vendo minhas roupas até para a África", contou. Suas roupas camufladas de Jesus fazem grande sucesso com o público evangélico. Outro estilista promissor é o Luciano Compri dos Santos, 32 anos, dono da marca de jeans Sluper. "Eu era lojista do Brás, mas a inadimplência me derrubou. Como aqui a gente só aceita dinheiro vivo, eu consegui me levantar".

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