Desfile de dez horas apresenta as campeãs do Rio

Foram dez horas de samba. O Desfile das Campeãs, das 19h30 de sábado às 5h30 deste domingo, confirmou uma tendência. As escolas do Grupo Especial têm tal nível de excelência que é difícil escolher a melhor. Valem a garra dos componentes e as preferências do público. Nestes quesitos, Unidos da Tijuca, Unidos de Vila Isabel e Unidos do Viradouro, nesta ordem, são as vencedoras. A Mangueira, a Beija-flor de Nilópolis e a Acadêmicos do Grande Rio fizeram desfiles corretos e luxuosos, mas não ouviram "É campeã!" nem mesmo na arquibancada 1, a dos convidados de cada escola.O público recebeu entusiasmado a Flor da Idade, do Retiro dos Artistas, de Jacarepaguá, que abriu a noite, com o cantor Rixxa no samba. Depois veio a Tijuca, com seu enredo sobre a música e impedida, pelo carnavalesco Paulo Barros e pelo presidente Fernando Horta, de protestar com narizes de palhaços. Eles só não evitaram as tarjas, em braços esparsos pelas alas. Horta ameaçou deixar o carnaval "se não mudarem os critérios", protestou. "Não culpo os jurados pelas notas, mas a Liga das Escolas de Samba que os escolheu."A Beija-Flor cantou a água e a cidade de Poços de Caldas e Anis Abraão Davi, o Anísio, garantiu que o dia era de festa e não de protesto pelo quinto lugar. A Mangueira seguiu-lhe o caminho, cantando o Rio São Francisco. "Ninguém vem ver protesto e sim show", disse o presidente da verde e rosa, Álvaro Caetano. A Viradouro entrou com sua bateria "funkeada", Juliana Paes aplaudidíssima ao lado do mestre Ciça e artistas como Marcelo Serrado na diretoria. Levantou as arquibancadas com um desfile de campeã, especialmente com os carros alegóricos reproduzindo a arquitetura brasileira, seu tema.A Grande Rio veio sem celebridades, exceto a atriz Susana Vieira, à frente da bateria. Compensou com a alegria, a começar pelo presidente Hélio Ribeiro de Oliveira, com um sorriso de felicidade grudado no rosto. A Vila encerrou a festa, sem Martinho, mas com garra para mostrar que seu surpreendente campeonato foi merecido. O compositor quis evitar a comoção em torno de si. "Acho que sua presença empanaria o brilho das pessoas que fizeram este carnaval", contou seu amigo Ricardo Cravo Albin. O embaixador da Venezuela, Julio García Montoya, assistiu ao desfile no camarote da PDVSA, estatal de petróleo de seu país, não quis incluir-se na vitória. "Deve-se à criatividade e sensibilidade da Vila", afirmou. "Embarcamos numa idéia pronta."No camarote da Brahma, houve um momento cívico: a homenagem às Mães do Brasil, que perderam os filhos para a violência. Elas iam sair no carro quebrado da Unidos do Porto da Pedra e a cervejaria as reuniu para ver o desfile lá, com a novelista Glória Perez. Deborah Bloch estava animadíssima na Nova Schin e Nana Caymmi, sem arredar o pé de seu cantinho na Brahma. Vera Fisher apareceu na Grande Rio, para prestigiar a amiga Liège Monteiro, que faz parte da escola.

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