Desfile valoriza passe de beldades

Exposição gera convites para posar em revistas e atuar em campanhas publicitárias, entre outros trabalhos

Rodrigo Brancatelli, O Estadao de S.Paulo

05 de fevereiro de 2008 | 00h00

Sambar pelos 700 metros da passarela da Avenida Marquês de Sapucaí não rende apenas assobios e flashes dos fotógrafos. Para as rainhas de bateria do carnaval do Rio, aqueles 70 e poucos minutos de desfile, transmitidos ao vivo para cerca de 190 países, também se transformam em cachês polpudos, convites para festas, capas de revistas, contratos publicitários, um carro novinho em folha, talvez até um apartamento... É uma valorização de passe instantânea, uma visibilidade digna de Big Brother Brasil, em apenas uma noite. "Carnaval é um dos maiores momentos para se criar uma nova estrela, talvez só comparável a uma novela da Globo ou um programa televisivo de muito sucesso", diz o publicitário Renato Nunes Santana, que agencia diversas modelos e artistas para propagandas. De fato, não é difícil elencar celebridades que fizeram suas carreiras a partir de um desfile na Sapucaí - como Monique Evans, Luma de Oliveira, Valéria Valenssa, Viviane Araújo, Adriana Bombom, Nana Gouveia, Renata Banhara... Este ano, talvez o maior exemplo de valorização de passe seja a dançarina de axé Gracyanne Barbosa, que há dois anos não era reconhecida nem com a ajuda do Google. Foi só a morena, de 25 anos e uma aerodinâmica de cair o queixo, desfilar pela Salgueiro, no ano passado, para a sua cotação disparar. Posou para a Playboy, comprou um apartamento com o cachê, assinou contrato para ser garota-propaganda de uma marca de roupas e conseguiu sair do anonimato.Este ano, se o carnaval fosse uma bolsa de valores, Gracyanne seria digna da magnitude de uma Vale do Rio Doce. Seu namorado, o pagodeiro e ex-presidiário Belo, fez shows na quadra da Mangueira sem cobrar um tostão, para garantir a ela o posto de rainha da bateria da escola. A tática se mostrou digna de um acionista veterano e esperto - Gracyanne já foi sondada por uma empresa de cosméticos e agora cobra quase R$ 10 mil para aparecer em algum evento corporativo. Além disso, está negociando mais uma vez com uma revista masculina, para aparecer nua por um cachê 60% maior do que o de 2007.NÃO ADIANTA SÓ REBOLAR"O carnaval é uma das maiores vitrines de mídia, dá uma visibilidade enorme", diz o empresário Marcos Brandão, da House Entertainment, que agencia a carreira de celebridades como o ator Reynaldo Gianecchini e a jornalista Glória Maria. "Mas aparecer é fácil, o problema é manter aquilo, ter uma conduta condizente. É que nem Big Brother, uma hora a visibilidade simplesmente acaba"O presidente da agência de publicidade DM9DDB, Sergio Valente, também concorda que não adianta apenas ser bonita e saber rebolar. "De forma geral, em termos publicitários, ao aparecer em si, a notoriedade gerada no carnaval, pura e simples, não é qualificação automática para alguém se tornar um bom porta-voz da marca", diz. "Porém, a notoriedade é sempre um ingrediente que pode ajudar, desde que a notoriedade tenha surgido a partir de um contexto positivo."Além de Gracyanne, não faltaram musas no primeiro dia de desfiles do Grupo Especial do carnaval do Rio, novatas ou veteranas. A atriz Juliana Paes deu o show de sempre, sambando graciosamente e interagindo com os ritmistas. "É até emocionante, porque me lembra o primeiro ano em que desfilei como rainha de bateria da Viradouro, cinco anos atrás", disse. A atriz representava a Taça Jules Rimet, diante de uma bateria da Viradouro caracterizada como o jogador Jairzinho, na Copa do Mundo de 70 - era o símbolo do arrepio da felicidade extrema. Os instrumentistas jogaram bolas de futebol para a platéia, que não parou de aplaudir a passagem da agremiação.A modelo e atriz Viviane Araújo, conhecida por ser ex-namorada do cantor Belo, foi madrinha de bateria do Salgueiro e aproveitou para mostrar mais do que samba no pé. Viviane tocou tamborim e deu até as paradinhas puxadas pelo mestre Marcão. Já a modelo Ângela Bismarchi, famosa, por sua vez, pelas inúmeras cirurgias plásticas (já fez mais de 40), conseguiu inovar no seu repertório de intervenções cirúrgicas: esticou os olhos para que ganhassem contorno oriental. "Dei tudo de mim. A escola tem tudo para ficar entre as primeiras", defendeu a moça, que ainda aumentou a prótese de silicone nos seios, de 350 ml para 400 ml.

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