Desiludido, Moreira Franco desiste de tentar voltar à Câmara

A falta de um maior compromisso dos candidatos à Presidência da República com a mudança política eleitoral que a sociedade vem cobrando é o principal fator que motivou o atual deputado federal e ex-governador do Rio, Moreira Franco, a desistir de concorrer a um novo mandato parlamentar, apesar de estar inscrito na chapa do PMDB no TRE-RJ."Em 34 anos de vida pública estes últimos quatro anos foram os piores da minha vida. Sou presidente da segunda mais importante Comissão da Câmara, a de Finanças e Tributação, mas tenho consciência de que o que conseguimos produzir, quer na Comissão, quer na Câmara, foi muito pouco, quase nada", avalia, tentando justificar sua decisão. Ele resume esta legislatura como a pior que a Casa já teve: "Tivemos dois presidentes (o ex-deputado Severino Cavalcanti, PP-PE, e o ainda deputado João Paulo, PT-SP) e diversos membros da cúpula da Câmara, presidentes de partidos políticos, incluindo o PSDB, e líderes das bancadas, também do meu partido, envolvidos em escândalos. A Comissão de Ética propôs cassações, mas o plenário os absolveu".Ele ainda cita o escândalo dos sanguessugas, prevendo que a CPI que investiga o caso dificilmente punirá os envolvidos. "Acho que é preciso divulgar os nomes de todos, mas isso é pouco. A CPI não terá tempo de puni-los. Vai ser preciso pressão para que a Polícia Federal e o Ministério Público apurem rapidamente o caso".Segundo ele, será inevitável a cobrança dos eleitores por mudanças no cenário político que evitem novos escândalos. "Eu não tenho como garantir qualquer mudança. A Câmara, por si só, não terá condições nem energia para gerar as mudanças nas suas práticas e, tampouco, gerar um projeto de mudança político eleitoral. Será uma atribuição do Executivo, inclusive buscar a mudança no relacionamento com o Legislativo. Mas nada disto tem sido agenda no debate eleitoral. Os candidatos não falam a respeito. Ou seja, não acontecerá mudança nenhuma, apesar da sociedade cobrar. Não posso dizer ao eleitor ´vota no meu candidato, que iremos fazer´. Assim, prefiro desistir de concorrer".Pesou ainda na decisão do candidato, que em 2002 obteve 77 mil votos, a posição adotada pelo seu partido, o PMDB, de neutralidade na campanha presidencial. "Foi a decisão mais surpreendente. Não desistiu só de lançar candidato, mas decidiu não apoiar nenhum deles. Com isto, abriu mão de um projeto nacional e passou a ser mero instrumento de negociação com o poder. Ele só se dispôs a negociar com quem ganhar. Depois é que ele vai negociar com o candidato eleito".

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