Desinformação do eleitor desafia campanhas

Apesar da pré-campanha aquecida, nos últimos dois meses não caiu o nível de desconhecimento sobre candidatos, que é maior no caso de Dilma

Daniel Bramatti, O Estado de S.Paulo

25 de abril de 2010 | 00h00

A maratona de viagens e o banho de mídia a que Dilma Rousseff se submeteu nos últimos dois meses não ajudaram a reduzir o grau de desconhecimento sobre a pré-candidata do PT em parte significativa da população.

Desde fevereiro, a parcela que afirma "conhecer bem" a petista passou de 13% para 14%, e a que diz conhecê-la "mais ou menos" se estabilizou em 33%, de acordo com duas pesquisa do instituto Ibope feitas no intervalo de 60 dias. Outros 7% - o equivalente a 9,2 milhões de brasileiros - nunca ouviram falar na ex-ministra, que nunca concorreu a cargos eletivos.

Os números referentes ao tucano José Serra também não tiveram variação significativa, mas, para o tucano, que já disputou oito eleições, a desinformação do eleitorado não é um entrave: cerca de 70% dizem conhecê-lo "bem" ou "mais ou menos".

Em termos geográficos, o principal bolsão de desconhecimento sobre Dilma é o Nordeste, onde 11% da população nada sabe a seu respeito. Apenas 8% dos nordestinos afirmam conhecê-la bem. Paradoxalmente, a região é a única em que a petista está à frente de Serra.

Pobres e mulheres. Tanto no Nordeste como nas demais regiões, a desinformação a respeito de Dilma é maior entre os eleitores mais pobres. Como é esse contingente o que mais aprova o governo de Luiz Inácio Lula da Silva, o PT aposta na associação entre a imagem do presidente e a da pré-candidata para alavancá-la.

A desinformação sobre Dilma também é maior entre o eleitorado feminino: apenas 11% dizem conhecê-la bem, enquanto 17% dos homens afirmam o mesmo. Márcia Cavallari, diretora executiva do Ibope, já associou essa disparidade ao desinteresse. Segundo ela, as mulheres demoram mais a prestar atenção nos candidatos.

Mauro Paulino, diretor do instituto Datafolha, tem uma avaliação diferente. Segundo ele, as mulheres tendem a definir o voto depois de refletir mais. Ele afirma que, em algumas campanhas, tendências foram verificadas primeiro no eleitorado feminino - como a ascensão e a queda abrupta de Ciro Gomes em 2002, por exemplo.

Paulino destaca ainda que, graças à sua crescente importância econômica, as mulheres influenciam cada vez mais os eleitores com quem convivem. Daí as mensagens dirigidas especialmente a elas por candidatos e marqueteiros.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.